Após as gravíssimas denúncias feitas pelo dono da JBS, Joesley Batista, o presidente Michel Temer decidiu liberar bilhões em emendas para deputados e senadores. A atitude é vista por especialistas e pela oposição como uma forma de segurar o apoio dos parlamentares para que não troquem de lado e passem a apoiar seu impeachment. Os mais bem agraciados foram o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e o senador Aécio Neves (PSDB-MG).

De janeiro a maio deste ano, o presidente Michel #Temer havia liberado R$ 959 milhões em emendas e restos a pagar para deputados e senadores. Porém, só em junho, justamente quando a crise envolvendo seu nome estourou, Temer abriu os cofres e liberou nada menos que R$ 4,2 bilhões, segundo levantamento feito através do Siga Brasil, ferramenta desenvolvida pelo Senado que dá acesso aos dados do Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal), que permite o controle dos gastos governamentais.

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Bolsonaro e Aécio foram os mais agraciados

Entre os nomes que foram mais beneficiados com a liberação de recursos para emendas apresentadas, os líderes são o deputado Jair #bolsonaro, com R$ 18,5 milhões no primeiro semestre, e o senador #Aécio Neves, com R4 18,4 milhões no mesmo período,

A assessoria de imprensa do deputado Bolsonaro afirmou que o fato dele ser um campeão em liberação de emendas se deve ao seu trabalho e que não pressiona o governo após a apresentação das emendas, deixando essa tarefa a cargo das instituições beneficiárias.

A assessoria de imprensa do senador Aécio Neves ainda não se manifestou. A Secretaria de Comunicação da Presidência da República e a Secretaria de Governo também não se pronunciaram.

Oposicionistas e comentaristas em política ironizaram o fato de que nem Aécio Neves nem Jair Bolsonaro aparecem em entrevistas ou nas redes sociais criticando o presidente Michel Temer.

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Tática de Temer

A liberação de emendas, pelo menos na teoria, é algo legal, mas que se tornou uma prática muito utilizada por governantes para agraciar os que lhe são fiéis e evitar que eles possam votar contra os interesses do governo. Segundo analistas políticos e a oposição, o presidente Michel Temer estaria usando desse expediente para obter votos suficientes para escapar de uma cassação que se avizinha.

Atualmente, Temer é rejeitado por 90% da população brasileira e seu governo é sacudido quase todos os dias com novas denúncias. Em meio a essa crise interminável, onde todos precisam apertar o cinto visando cortar gastos, a liberação de bilhões de reais em apenas um mês causou indignação em comentaristas de política.