Viralizou nesta semana um vídeo divulgado pelo deputado Jair Messias Bolsonaro nas redes sociais e no Youtube. No vídeo, Danilo Gentili entrevista o professor universitário Diego Aranha, que faz graves denúncias a respeito da segurança das urnas brasileiras. Jair Bolsonaro, que vai mudar de partido em breve, é o autor do projeto de lei do voto impresso. O projeto foi aprovado pelo Congresso ano passado e tem como objetivo permitir a recontagem de votos em caso de suspeitas de fraude. Confira o vídeo abaixo:

Diego Aranha é um respeitado especialista em Criptografia e Segurança de Computadores brasileiro. Se formou em Ciência da Computação numa das melhores universidades brasileiras, a UnB - Universidade de Brasília e se especializou em Criptografia no exterior, especialmente na Universidade de Waterloo, nos EUA.

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Além de ter prestado serviços para empresas de segurança, já deu aulas na UnB e atualmente leciona na Unicamp. Em todos os casos seu foco sempre foi Segurança da Informação. Atualmente coordena um grupo de pesquisa na universidade paulista com o objetivo de apresentar alternativas mais seguras às urnas eletrônicas brasileiras.

Com um currículo desses não é de se surpreender que tenha sido convidado pelo TSE, ainda em 2012 e, juntamente com outros pesquisadores brasileiros, a testar o sistema de segurança das urnas eletrônicas. Sua equipe teve sérias restrições para fazer os testes: Apenas 3 dias, uma equipe pequena (4 pesquisadores da UnB, incluindo o próprio Diego) e também não podiam modificar o hardware das urnas. Tinham que ler milhares de linhas do código fonte do sistema, entendê-las, descobrir brechas significativas e encontrar uma forma de explorá-las.

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Todas essas limitações não existiriam para um #hacker mal intencionado, o especialista ressalta.

Mesmo com todas as dificuldades Diego Aranha e sua equipe encontraram falhas. E não foram falhas simples, o que ele comprovou foi estarrecedor: Seria possível para um hacker, estivesse ele infiltrado no TSE ou não, descobrir quem votou em cada candidato. Mas ao contrário do que se esperava, o Tribunal Superior Eleitoral não recebeu com bons olhos as críticas do professor Aranha. Pelo contrário, declarou que as urnas são totalmente seguras, e afirma que nos últimos 21 anos (as urnas eletrônicas foram implantadas no Brasil em 1996) nenhuma fraude jamais foi comprovada.

O professor rebateu dizendo que é quase impossível comprovar alguma fraude nas eleições já que não é possível fazer uma recontagem de votos. Nas últimas eleições a polícia federal investigou a denúncia de que hackers estariam cobrando até 5 milhões de reais para fraudar as urnas.

As principais falhas denunciadas pela equipe de André Aranha:

  • Apenas uma chave para todas as fechaduras - A chave, que pode ser considerada uma espécie de senha que criptografa todas as urnas eletrônicas, é a mesma; Em tese, se um hacker conseguir violar a criptografia de uma urna, todas as 500 mil urnas usadas no Brasil estão igualmente vulneráveis.
  • Descobrir em quem cada pessoa votou - Não exatamente, mas seria possível saber em quem o primeiro, segundo, terceiro (e assim sucessivamente) eleitor votou e em que momento exato ocorreu o voto. Assim se o invasor pudesse filmar a fila de votação poderia saber como cada um votou.

Ano passado André F.

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Aranha participou mais uma vez do chamado Teste de Segurança Pública 2016. Dessa vez o TSE não o convidou, mas ele foi indicado pela . As restrições e o tempo para encontrar falhas na edição 2016 eram as mesmas, mas o prêmio em dinheiro para quem encontrasse falhas foi abolido. Mais uma vez foram encontradas falhas no sistema, segundo o próprio Ministro do STF e presidente do TSE Dias Toffoli, mas dessa vez as informações são confidenciais. Todos os pesquisadores assinaram um acordo de confidencialidade. Dias Toffoli se limitou a afirmar que as falhas encontradas não colocavam em risco a segurança das eleições, alegação utilizada pelo TSE também em 2012. #Eleições 2018 #Jair Bolsonaro