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A Comissão Especial da Câmara dos Deputados [VIDEO] que analisa a #Reforma política aprovou na madrugada da última quinta-feira (10) o modelo eleitoral conhecido como "Distritão [VIDEO]" por 17 votos a 15. Para entrar em vigor já nas eleições de 2018, a proposta precisa ser aprovada por pelo menos 60% dos plenários tanto da Câmara como do Senado até setembro, período máximo para ocorrer mudanças na legislação eleitoral antes de uma eleição no ano seguinte.

Quando a expressão "Distritão" surgiu no decorrer do dia, muita gente ficou na dúvida sobre seu funcionamento. Esse modelo eleitoral tem como simples ideia a de eleger os deputados mais votados, em números absolutos, de cada estado.

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Caso esse modelo seja aprovado pelo Congresso, a divisão das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados terá toda uma diferenciação do atual.

Como é o modelo atual?

As eleições para compor as Casas Legislativas Federais atualmente estão baseadas em dois cálculos proporcionais: quociente eleitoral e partidário. O sistema de eleição atual leva em consideração não apenas os votos absolutos no deputado individualmente, os votos do partido também entram no cálculo.

Para se ter uma ideia, segundo cálculo do cientista político Jairo Nicolau, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), caso o "Distritão" tivesse em vigor nas eleições de 2014, 30,6 milhões de votos teriam sido "desperdiçados". O cálculo é fácil de entender: esse número foi o equivalente aos votos em deputados que não foram eleitos, porém, ajudaram outros a se eleger devido ao cálculo do quociente eleitoral.

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A principal característica do sistema proporcional é a capacidade que ele tem de ajudar a eleger deputados com uma votação não tão alta. Por exemplo, candidatos com poucos votos acabam se elegendo por causa de "puxadores de votos", como ficaram conhecidos alguns parlamentares que tiveram votações maciças e ganharam algumas cadeiras para seu partido. Um exemplo claro disso nas últimas duas eleições é do deputado Tiririca (PR-SP). Em 2014, Tiririca foi o segundo mais votado no geral e levou consigo cinco deputados de seu partido por São Paulo.

Como funciona o "Distritão"?

A ideia é simples: cada estado e o Distrito Federal possuem um fatia de deputados disponível entre os 513 de compõem a Câmara dos Deputados. Por exemplo, São Paulo é o estado com o maior número de cadeiras disponível, 70. No modelo "Distritão", os 70 deputados com o maior número de votos absolutos na eleição estariam eleitos.

Esse modelo que o Brasil quer adotar é utilizado por apenas quatro outros países, segundo o Instituto para a Democracia e Assistência Eleitoral: Afeganistão, Kuait, Emirados Árabes Unidos e Vanuatu.

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Um dos argumentos de quem defende a proposta é que ele irá diminuir o número de candidatos e que acabarão com o fenômeno dos puxadores de votos. Quem é contra argumenta que a política iria se restringir aos nomes já conhecidos e tiraria a capacidade de tornar mais heterogêneo o parlamento.

Quem sairia na frente?

Segundo diversos especialistas ouvidos pelo UOL, o modelo "Distritão" é um modelo que dificulta a renovação. Para eles, essa é uma estratégia utilizada pelos atuais deputados para facilitar suas reeleições.

Um dos argumentos contrários é que os partidos escolherão a dedo os candidatos com maior potencial de voto e despejarão dinheiro em suas campanhas. Deputados com maior dinheiro e nome terão uma clara vantagem contra outros que estão agora adentrando no mundo da política e não possuem um colegiado de votos ainda. Lilian Furquim, cientista política da FGV-SP, argumenta que essa não é uma reforma política "suficiente". #Dentro da política