Moreira Franco, ministro chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, foi condenado juntamente com o então prefeito da cidade de Miracema - RJ, Jairo Barros Tostes, por irregularidades na destinação de verbas para escolas da cidade. A suspeita é que um pagamento no valor de 2 milhões de reais tenha sido desviado pelos envolvidos. A acusação é antiga, mas só agora a Justiça condenou os acusados.

O ano não tem sido bom para o ministro Moreira Franco. Em fevereiro, foi citado por Cláudio Melo Filho, ex-diretor de relações institucionais da empreiteira Odebrecht, 34 vezes na sua delação premiada. Temia-se nos bastidores que o ministro pudesse ser julgado pela Lava Jato na primeira instância.

Publicidade
Publicidade

O presidente Michel #Temer deu à Secretaria-Geral da Presidência o status de ministério por causa dele. Dessa forma, ele ganhou foro privilegiado e a investigação sobre o caso pouco avançou nos últimos meses.

Mas um caso muito mais antigo voltou para abalar a situação política do ministro e com potencial de contagiar todo o governo Temer. Em 1987, quando era governador do RJ, Moreira Franco entregou pessoalmente dois cheques, cada um equivalente a um milhão de reais nos dias de hoje, ao ex prefeito de Miracema, Jairo Borres. Na década de 90 uma CPI foi criada para investigar desvio de recursos da Educação e a transação irregular foi detectada. Como os cheques foram entregues diretamente ao prefeito, não foi possível descobrir o que foi feito com os recursos.

Apesar disso, nos últimos anos, o processo praticamente não andou.

Publicidade

Até que ontem, dia 1º, a 9ª Vara Federal da Fazenda Pública divulgou a decisão de condenar o ministro e o ex-prefeito. Não se sabe ainda que valor cada um dos políticos terá que devolver. A decisão é de primeira instância, o que significa que o ministro ainda pode recorrer às instâncias superiores. O ministro foi procurado pela Globo News para comentar o caso mas optou por não se pronunciar por enquanto.

O clima no Planalto é de muita apreensão. O governo teme que a condenação possa contaminar a base aliada no Congresso. Hoje é o dia em que o Congresso deve decidir se aceita ou não a denúncia apresentada contra o presidente Temer pela Procuradoria da República, Rodrigo Janot. Como o Presidente da República só pode ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal [VIDEO] e apenas com autorização do Congresso, uma vitória na Câmara sepultaria a denúncia contra Temer.

A oposição, provavelmente, vai usar a denúncia contra Moreira Franco para pressionar os indecisos a votar contra Temer ou ao menos se abster de votar e, assim, prorrogar a votação para o dia seguinte. Para o governo, pelo contrário, a cada dia que a votação é adiada a situação piora [VIDEO]. #Congresso Nacional #Crise-de-governo