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O procurador-geral da República, #Rodrigo Janot, disse em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo que "colaborações em curso" poderão ajudar nas investigações em andamento contra o presidente #Michel Temer, que está na mira da PGR por suspeita de obstrução da Justiça e organização criminosa, após já ter sido denunciado por corrupção passiva.

A procuradoria negocia, segundo apurou a Folha, delações com o ex-deputado e presidente da Câmara, Eduardo Cunha, além do operador financeiro Lúcio Funaro, ambos já presos no âmbito da Operação #Lava Jato.

As flechas contra o bambu

Questionado sobre ainda possuir recursos para incriminar o presidente Temer, Rodrigo Janot disse que "restam flechas".

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No entanto, ele fez questão de esclarecer que as investigações feitas por ele e sua equipe não buscam prazos e pessoas, e vão ficando maduras até sua conclusão: "E várias estão bem no finalzinho", indicando ainda haver outros indícios de que o chefe do executivo nacional tenha cometido ilegalidades.

Sobre o fato da Câmara ter barrado o prosseguimento das investigações contra Temer [VIDEO] no Supremo Tribunal Federal, Janot disse que não via o ato como um desperdício ao seu trabalho investigativo, uma vez que a decisão da Câmara foi meramente política, e não jurídica, e além disso o processo seguirá após o término do mandato do presidente, em dezembro de 2018, e jogou a responsabilidade da decisão dos deputados para eles mesmos: "Que a Câmara agora arque com as consequências", disse.

Alice no país da carochinha

O chefe do Ministério Público brasileiro explicou ainda que para que se configure o crime de corrupção, é desnecessário que o destinatário da propina tenha recebido o dinheiro, pois se trata de crime formal, quando o simples fato de solicitar o pagamento já configura atividade ilícita, e disse que só em um "país da carochinha", seria exigível que aquele que designou laranjas para receber o dinheiro fosse buscá-lo de forma pessoal.

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Para Janot, o repasse a Temer seria feito de forma oculta, na qual os procuradores jamais conseguiriam rastrear: seja por meio de repasses em campanhas, seja por meio de despesas "em cash", que, segundo Rodrigo, são quase impossíveis de se apurar.

Sobre quando a nova denúncia contra Temer será apresentada, o procurador reafirmou que irá apresentá-la assim que reunir os indícios mínimos de autoria dos crimes que estão sendo investigados, e confirmou que até dia 17 de setembro, quando deixa o cargo e o passa à nova Procuradora-Geral Raquel Dodge, "enquanto houver bambu, lá vai flecha". Ou seja, a vitória de Temer na Câmara deu fôlego ao presidente por um tempo, mas não por todo tempo.