Nesta sábado (02), o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela maior operação de combate à corrupção no Brasil - a Lava Jato, deu uma palestra na Jornada Internacional de Investigação Criminal, em gramado, Rio Grande do Sul. Ele chegou na sexta a noite, pousou em um dos hotéis da região e discursou pela manhã. Hoje mesmo, ele já voltará para Curitiba.

O magistrado sempre foi cuidadoso em suas palavras e já elogiou diversas vezes a Procuradoria-Geral da República (PGR) e outras instituições que buscam trabalhar com rigor contra a corrupção, porém desta vez, ele fez algumas críticas ao procurador-geral da República, #Rodrigo Janot.

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Moro não concorda com o embate entre a Polícia Federal e o Ministério Público em relação à exclusividade da condução dos acordos de colaboração premiada. De acordo com o juiz, Rodrigo Janot sempre realizou um trabalho corajoso e muito responsável, mas cometeu algumas falhas que atrapalharam as investigações. Um dos equívocos do procurador-geral da República foi em deixar de lado a Polícia Federal nos acordos com os delatores da construtora Odebrecht. "Nisso ele cometeu um equívoco", ressalta Moro.

Para se ter uma ideia da gravidade da falha de Janot, a delação do empresário e operador do Mensalão Marco Valério, que tem informações preciosas contra o ex-presidente Lula, está parada no STF esperando uma definição se a delação dele, feita diretamente com a Polícia Federal, poderia ser válida ou não.

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Janot entrou com recursos para que se cancele essa delação, já que o MPF não participou.

O magistrado afirmou que as suas críticas ao procurador não são ofensivas igual fazem algumas pessoas. Isso poderia ser uma indireta ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que chamou Janot de desqualificado e um dos piores procuradores que a PGR já teve.

Prisão preventiva

O juiz fez várias defesas à Lava Jato e enalteceu métodos utilizados nas investigações e que são criticados por muitos políticos e advogados. segundo o magistrado, as críticas feitas contra os métodos não são consistentes. A prisão preventiva, por exemplo, que tem sido alvo de ataques de alguns ministros da Corte Suprema, é a melhor forma de impedir a fuga de criminosos, impedir a destruição de provas e evitar que os esquemas corruptos continuem a sangrar os cofres públicos.

Sucesso

O juiz falou que o sucesso da operação se deve a vários fatores, como por exemplo, a criação de forças-tarefas de dedicação exclusiva às investigações. O apoio da população também foi o grande escudo que ajudou a operação a ganhar forças e ficar resistente diante de tantas investidas contra ela. Moro também ressaltou a colaboração de países, como a Suíça, para punir os criminosos que possuíam contas secretas no exterior. #Sergio Moro