João Doria (PSDB) se pintou durante sua campanha à Prefeitura de São Paulo como a antítese do político. Repetiu diversas vezes já durante seu mandato que não era prefeito, e sim "gestor". Como bom marqueteiro, conseguiu de cara impressionar muita gente e ganhar a simpatia de outros mais. Porém, nem só de marketing, fantasia de gari e frases de efeito deve viver um prefeito de maior cidade do País.

Após nove meses de gestão, as falhas e defeitos do prefeito de São Paulo começam a aparecer, após a cortina de fumaça que ele conseguiu arrastar até então. João Doria experimentou neste domingo (8) sua pior avaliação após uma pesquisa divulgada pelo instituto Datafolha no jornal Folha de S.Paulo.

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Sua rejeição dobrou desde a primeira pesquisa, em fevereiro, enquanto avaliação da gestão como Ótima/Boa teve a maior queda percentual de uma pesquisa a outra; de 41% para 32%.

Ao comentar sua queda de avaliação, Doria preferiu continuar seu passatempo favorito e atacou o Partido dos Trabalhadores. Ao invés de assumir suas falhas, já que se diz "gestor", o tucano foi evasivo e disse ter recebido a Prefeitura sem recursos. E concluiu com a frase mais clássica do cenário político atual: "Foi herança do PT".

Apaixonado pelo setor privado, vide ter saído de lá, o prefeito esperneou contra a população paulistana. Segundo ele, o povo não entende as "doações" de empresas à cidade. 46% dos paulistanos consideram que essas doações não são transparentes, segundo a pesquisa Datafolha. Apenas 9% acham que são transparentes.

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"AeroDoria"

Uma das principais críticas contra João Doria são suas inúmeras viagens para outros estados e até países. Essa agenda fora da capital é vista como sua tentativa de nacionalizar seu nome para uma possível candidatura em 2018 no pleito presidencial.

Segundo a pesquisa Datafolha,49% dos paulistanos afirmaram que as constantes viagens do Doria só trazem prejuízos à Capital. Enquanto 35% aprovam. Para 77% dos paulistanos entrevistados, a agenda lotada de viagens é uma tentativa do prefeito de tirar vantagens pessoais.

Ao ser questionado sobre esses números, João Doria garantiu que vai continuar com sua agenda e afirmou que as viagens são em benefício da cidade. Nessas viagens, o tucano estreitou relações com o DEM, e mais especificamente com ACM Neto, prefeito de Salvador. Nos melhores sonhos do prefeito de São Paulo, próximo ano ele formaria uma chapa presidencial com o nordestino como seu vice. A escolha de ACM Neto não é em vão. Normalmente, no Nordeste, o PSDB perde feio para o PT nos pleitos presidenciais.

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É lá onde Lula mantém sua maior base de apoio. Com um vice nordestino e com um sobrenome tão forte, Doria tentaria tirar essa diferença.

Presidenciável

Sempre escorregadio quando o assunto é uma possível candidatura à presidência da República, Doria mais uma vez não negou nem confirmou. Segundo ele, são as pesquisas que apresentam seu nome como candidato. Ainda afirmou que "o dia de amanhã cabe ao amanhã, não sou capaz de prever o amanhã", deixando novamente em aberto a possibilidade de se candidatar.

Queda entre mais ricos

João Doria sempre foi apontado como o queridinho da classe média paulistana, mas, ao que parece, isso não é mais tão verdade absoluta. Apesar do aumento em sua rejeição entre os mais ricos, os bairros nobres da Zona Oeste permanecem sendo os que melhor avaliam o prefeito. Para os "esperançosos" ricos paulistanos, a maior frustração com Doria é porque o prefeito se preocupa mais consigo do que com a cidade. No extremo da Zona Leste, a popularidade de Doria já vem caindo vertiginosamente desde o mês de abril. #João Dória #Dentro da política