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Uma das frases mais marcantes do esporte brasileiro ocorreu em junho de 1997. Direto do gramado do estádio Hernando Silles, na Bolívia, o folclórico e lendário técnico Mario Jorge Lobo Zagallo nem esperou a comemoração do título brasileiro na Copa América para disparar contra os seus críticos, que o consideravam ultrapassado e incapacitado para o cargo: "Vocês vão ter que me engolir".

A frase marcou a carreira do "velho Lobo" e foi tantas outras vezes repetida por outros profissionais do meio do futebol. Mas, agora, ela ganhou contornos políticos. Na noite desta segunda-feira, 4, Luiz Inácio #Lula da Silva, o Lula, fez uso do lema criado por Zagallo para falar sobre a sua candidatura e criticar quem a rejeita em ato realizado no centro de Vitória, no Espírito Santo.

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"Como já disse o Zagallo, eles vão ter que me engolir", disparou Lula, exatos dois dias depois da nova divulgação de uma pesquisa do instituto Datafolha, que mantém o ex-presidente da República na liderança, transitando sempre entre 34% e 37% das intenções de voto.

Lula, ao mesmo tempo, manteve total confiança na sua candidatura e tranquilizou os militantes presentes ao garantir que será opção na urna em 2018. Condenado a nove anos e seis meses de prisão em sentença do juiz federal Sérgio Moro, que coordena as investigações da Operação Lava-Jato, Lula ainda aguarda o julgamento em segunda instância, no TRF-4, para saber se terá a possibilidade de ser candidato.

"Esqueçam essa bobagem de que o Lula não vai poder ser candidato, não. Esqueçam. Eu vou ser candidato e vou vencer essas #Eleições", prometeu.

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Antes do líder da esquerda brasileira assumir o microfone, o presidente da Central Única dos Trabalhadores - CUT -, Vagner Freitas, fez um veemente depoimento e voltou a trabalhar na narrativa do "golpe" - termo constantemente empregado pela militância de esquerda ao se referir o impeachment que destituiu Dilma Rousseff, ainda em 2016, do cargo de presidente da República.

"Eleição sem Lula é golpe", falou Freitas, citando os dados apresentados pelo Datafolha e indicando a supremacia de Lula neste momento das pesquisas.

No que diz respeito à economia, Lula declarou que pretende voltar a ser o "Lulinha paz e amor", mas que não depende do mercado para governar. "O mercado precisará muito mais de mim do que eu deles", avaliou.

Ironias a Michel Temer

A desaprovação recorde de Michel Temer, atual presidente da República, foi objeto de ironias de Lula [VIDEO]. O pré-candidato à presidência da República pelo PT disse que o peemedebista vai terminar a sua gestão "devendo para o Ibope e para o Datafolha", os dois principais institutos que medem e numeram a preferência pública pelos políticos.

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No último levantamento do Datafolha sobre esse quesito, divulgado no último final de semana, 71% dos entrevistados consideraram o desempenho do governo Temer como "ruim ou péssimo". Apesar do alto grau de insatisfeitos, a pesquisa até apresentou uma leve melhora com relação à última realizada. Em setembro, Temer era desaprovado por 73%.

Na nova pesquisa, 5% consideraram a gestão boa ou ótima. Até pela falta de apoio público, Temer não tentará a reeleição em 2018. O seu próprio partido, o PMDB, não lançará candidato e deve se coligar com outra sigla. A legenda já declarou que o objetivo para as novas eleições que se aproximam será fortalecer seus quadros dentro do Congresso Nacional.

Desta forma, Lula, se possibilitado a concorrer, deve ter como principais oponentes na corrida presidencial nomes como Jair Bolsonaro - o 2° colocado em todas as pesquisas até agora -, Marina Silva, Geraldo Alckmin e Ciro Gomes.