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O ano de 2017 [VIDEO]foi marcado por grande desgaste de Michel Temer [VIDEO] e seu governo, tanto com a população, quanto com o Legislativo e Judiciário. Em meio a inúmeras denúncias envolvendo figuras centrais de seu governo, e o próprio peemedebista, Temer precisou liberar um valor recorde em emendas parlamentares para conseguir se sustentar no cargo. Para conseguir se safar das duas denúncias feitas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) que colocavam em risco seu mandato e se segurar no cargo mesmo com a maior rejeição de um chefe do Executivo desde a Ditadura Militar, Temer liberou R$ 10,7 bilhões em emendas parlamentares.

Para se ter uma ideia comparativa desse valor, no ano de 2016, a quantia liberada aos deputados e senadores 48% menor do que a de 2017.

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A situação piora ainda mais se retrocedermos um ano mais. Se comparado com 2015, o valor de R$ 10,7 bi chega a ser 68% maior do que o que foi repassado naquele ano.

O que são emendas parlamentares?

As emendas parlamentares são indicações feitas por deputados e senadores de como o governo federal deve gastar os recursos previstos no Orçamento. Normalmente, os políticos que compõem as casas legislativas fazem essas indicações justamente em seus redutos eleitorais. Dessa maneira, eles conseguem privilegiar aquela região que o elegeu e manter sua influência por lá.

Os valores de emendas parlamentares servem para diversas funções, como a utilização para infraestrutura de uma região carente, ou o repasse de uma verba para um programa de educação ou saúde, por exemplo. O pagamento das emendas é impositivo e já consta no Orçamento do governo, porém, cabe a ele decidir quando e como serão liberados.

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Por essa razão, são muito utilizadas como forma de barganhar algum privilégio, tanto por parte dos parlamentares, que trocam seus votos por essas liberações mais ágeis, quanto pelo governo, que impõe condições, como o voto em algum projeto de interesse, para que seja feito o investimento.

Picos de liberação

Os momentos em que houve a maior liberação de recursos para senadores e deputados ilustram bem como os políticos lidam com as emendas parlamentares. O mês de dezembro registrou a maior liberação por parte do governo federal. O valor chegou a R$ 3,24 bilhões, o que representa cerca de 30,1% de tudo que foi distribuído no ano. Naquele mês, #Michel Temer ainda tinha a esperança e expectativa de conseguir votar a reforma da Previdência. Algo que foi frustrado posteriormente.

Um segundo momento de interesse mútuo para negociar as emendas foram ambas as votações das denúncias contra Michel Temer na Câmara dos Deputados oriundas da PGR. Os meses de junho e julho, pôs divulgação das delações da J&F, serviram para que os parlamentares arrancassem bilhões do governo, que estava na parede e não podia negociar.

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Em junho, o valor em emendas parlamentares foi de R$ 2,02 bilhões. Já em julho, foi de R$ 2,24 bilhões. Respectivamente, 18,87% e 20,93%.

Ou seja, em apenas três meses de interesse do governo, foram liberados 69,9% de todo o valor em emendas parlamentares que deveria ser repassado em um ano.

Saúde

A área da saúde é a única que tem a execução obrigatória das emendas parlamentares previstas por lei. Segundo o Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop), em levantamento feito pelo jornal "O Estado de S. Paulo" nas mais de 7 mil emendas individuais que tiveram algum valor executado, 93,5% foi desembolsado para essa necessidade.

A segunda área com a maior liberação foi a agricultura. Os ministérios das Cidades, Transportes, Meio Ambiente e Transparência não tiveram nenhuma emenda paga no ano de 2017. #Dentro da política