Nesta sexta-feira, 3, foi encenada pela 56ª vez a Paixão de Cristo. Os passos de Aldacir Oliboni, ex-vereador de Porto Alegre, que representa há 34 anos Jesus em seu martírio, são seguidos por uma multidão de milhares de pessoas, em uma procissão que percorreu mais de 1500 m morro acima, até alcançar a Cruz situada a 120 m de altura.

O percurso original percorrido por Jesus, de pouco mais de 600 metros, subindo pequena colina chamada Monte Calvário, aqui é substituído por um verdadeiro tour de force, hoje sob um sol inclemente, durante quase três horas, feito por pessoas de todas as idades, onde o povo acompanha as cenas, que começam com Cristo em jejum no deserto, sendo tentado pelo Diabo e culminam com a crucificação e ressurreição .

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O inusitado desta via crucis é que, muito em função do clima de insatisfação popular com os governos estadual e federal, o personagem Pôncio Pilatos, governante à época de Jesus, recebeu estrepitosas vaias, o que quase prejudicou sua atuação e o andamento da representação. Também "sobrou" para o "demônio", que na vida real se apresenta como mágico e que fez aparecer fogo em suas mãos.

Quando fazia a tentação de Cristo, em seu jejum no deserto, o demônio recebeu copos plásticos e bolinhas de papel, arremessados pelo povo em procissão, neste caso, mais por conta da convincente atuação do ator do que por insatisfação com os governos.

Fato que se repete ano após ano, ao término do espetáculo popular ao ar livre, mesmo com o público sabendo que se trata de uma encenação, "Jesus" é tratado como se fosse o autêntico Salvador, onde a devoção ao Jesus encarnado pelo ator se dá explicitamente e de forma comovente, incluindo, relatos de populares aos repórteres que fazem a cobertura do evento de ocorrência de milagres, por conta de pedidos feitos ao ator e por agradecimento a ele pelas graças alcançadas por seu intermédio.

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#Religião

Tendo iniciado de forma tímida em 1960, o evento conta hoje com produção técnica de primeira qualidade, com atores convidados, profissionais e amadores, entre eles, a mãe de Jesus, "Maria" representada por uma atriz mestiça, numa #Manifestação de comunhão entre as raças.