Os advogados de Elissandro Spohr, um dos sócios da Boate Kiss, em Santa Maria, protocolou junto ao Ministério Público o pedido de afastamento de dois promotores do processo. Segundo eles, Joel Dutra e Maurício Trevisan teriam omitido documentos referentes ao processo.

A alegação de Jader Marques, advogado de Spohr, é de que a Polícia Civil teria feito um pedido à promotoria de Santa Maria solicitando a entrega de todos os documentos relativos à boate que pudessem estar em poder do MP. Apesar disso, segundo Marques, os promotores teriam omitido alguns registros.

Um dos documentos omitidos seria um inquérito civil instaurado em 2010 que investigou bares, restaurantes e casas de show da cidade - entre os quais a Kiss - que não foi entregue aos policiais. O advogado afirma que a falta deste documento arrolado ao processo prejudicou a defesa de seu cliente. 

Já os promotores afirmam que o documento não cabia ao processo, já que o investigado era o município de Santa Maria, não a Kiss.

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Sendo assim, tornaria-se irrelevante para a tramitação da ação judicial. O pedido de afastamento será analisado pelo juiz Ulisses Fonseca Louzada, responsável pelo processo.

O incêndio na Boate Kiss ocorreu em 27 de janeiro de 2013, matou 242 pessoas e feriu outras 680. Segundo a investigação, o fogo iniciou a partir do acendimento de um sinalizador dentro da casa, durante o show pirotécnico da banda que se apresentava. O fogo teria subido até a espuma do isolamento acústico, espalhando-se pela boate. A festa havia sido organizada por universitários de seis cursos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). 

O incêndio obteve repercussão internacional, sendo destaque nos maiores jornais do mundo. Desde o ocorrido, houve uma série de mudanças na legislação e fiscalização para casas de shows por todo o Brasil. Várias boates foram fechadas ou se readequaram, em nome da segurança. 

O inquérito policial instaurado menos de dois meses depois da tragédia indiciou 28 pessoas, das quais oito foram denunciadas pelo MP, entre eles os sócios da casa noturna, Elissandro Spohr e Mauro Hoffman.

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Até hoje, nenhum envolvido no ocorrido foi condenado judicialmente, e ninguém está preso. #Justiça