A espera não leva mais que 10 minutos. Dentro do carro, o cliente sente-se confortável com o ar refrigerado, água e até doces. Os motoristas mais simpáticos se arriscam a puxar assuntos. Ao término da corrida, abrir a porta para o passageiro descer é como se fosse um simples gesto de cortesia. Com essa amostragem, o Uber, sistema de caronas pagas por meio de aplicativos para smartphones, chegou dando o que falar em Porto Alegre (RS) desde o último final de semana.

Assim como já havia ocorrido em outras importantes capitais brasileiras, o sistema gerou discussão entre os representantes do transporte público da capital gaúcha, que alegam que a prática é ilegal e não respeita a atual legislação em vigência.

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Os taxistas convencionais, insatisfeitos com a nova concorrência, mobilizaram o poder público a agir de forma imediata. Já nesta quarta-feira (25) a Câmara de Vereadores de Porto Alegre aprovou o projeto de lei que proíbe o Uber na cidade. A proposta ainda passará pela a análise do prefeito José Fortunati (PDT).

Os taxistas, que lotaram a sessão da Câmara dos Vereadores na quarta-feira, saíram satisfeitos com a esmagadora vitória por 22 votos a 9 sobre a liberação do aplicativo, no projeto de autoria do vereador Cláudio Janta (Solidariedade). Mas, antes disso, no sábado (21), alguns motoristas de táxi se juntaram e bloquearam a passagem de um condutor à serviço do Uber, gerando enorme constrangimento em uma bairro nobre da capital.

Irritada com a maneira que o novo serviço se instalou em Porto Alegre, a Empresa Pública de Transporte Coletivo (EPTC), que gere o trânsito na cidade, chegou a ventilar a possibilidade de baixar o aplicativo e solicitar o serviço dos motoristas, multando-os a seguir.

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No entanto, a ideia não avançou. Vanderlei Cappellari, diretor-presidente da entidade, não poupou o Uber de críticas.

“Eles são imperialistas. Chegam invadindo e depois querem licença. Eles não estão seguindo regras ou qualquer tipo de legislação. Estão querendo explorar um serviço de transporte público tomando recursos da nossa cidade”, esbravejou.

Usuários aprovam a chegada do serviço

Durante toda essa semana, foi possível ver por meio de relatos de novos usuários nas redes sociais a satisfação com o novo serviço. Muitos internautas não fugiram da já tradicional comparação entre o Uber e os táxis, e não ficaram em cima do muro não hora de emitir a opinião.

Pelo Facebook, a estudante Rafa Lopes relatou sua experiência em um táxi convencional depois da chegada do Uber em Porto Alegre:

“Tive uma experiência sensacional agora. Chamei um táxi e o motorista abriu a porta, ofereceu água e bala, e perguntou se o ar estava em boa temperatura e se eu estava atrasada. Resumindo: a concorrência faz bem! Seja bem-vindo, Uber”.

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Já a professora universitária Glafira Furtado argumenta que é um direito de todos os cidadãos poder escolher entre os serviços disponibilizados.

“Não ter meu carro e não dirigir é uma opção minha. Meu reconhecimento aos bons profissionais do táxi. Mas ficar refém dos maus taxistas nos últimos tempos, cansei. Que o Uber venha para ficar, também quero escolher!”, disse.

Nota oficial

Ainda que a Câmara dos Vereadores tenha aprovado um projeto de lei que impede o serviço de atuar em Porto Alegre, o Uber soltou nota oficial informando que seguirá normalmente com o seu serviço na capital gaúcha, até porque a pauta do legislativo ainda precisará de sanção do prefeito José Fortunati.

“O serviço que o Uber presta é de transporte individual privado, que consta na lei federal 12.587/2012. Diante disso, uma lei que impeça esse tipo de tecnologia é inconstitucional, como já disseram juízes e tribunais brasileiros”, diz o comunicado.

Resta saber até quando, mas, por enquanto, o Uber segue como alternativa aos serviços tradicionais de transporte público em Porto Alegre. Se depender somente do clamor popular, já se sabe que ele não tem hora para partir. #Trabalho #Inovação #Crise