Fronteira da  Paz, assim é conhecida   a relação entre as cidades siamesas de Santana do Livramento, no Brasil e Rivera, no Uruguai. Apenas meros marcos  formais dividem os países que literalmente se fundem onde um descuidado turista pode passar de um país a outro sem perceber. Porém a verdadeira atração aos turistas é a Avenida Sarandi de Rivera – conhecida como a Times Square sul-americana. Nela se enfileiram centenas de free shops, um verdadeiro paraíso de compras. Quando a economia brasileira era estável e o dólar baixo, esse local se transformava no frenesi turístico de compras do MERCOSUL. Caravanas e incontáveis excursões das mais longínquas cidades superlotavam ambas as cidades.

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O tumulto começava na sexta-feira e encerrava no domingo. Milhares de turistas. Restaurantes, hotéis e estacionamentos tudo absolutamente lotados.

Rivera experimentara a pujança jamais imaginada para uma cidade de um pequeno país. Em poucos anos cresceu como nunca. Seu IDH chegou a ser comparado com o de alguns países europeus. Surgiram belíssimas lojas, construíram o maior free shop do Uruguai. Mas não se contentaram. O Uruguai pode ser um dos menores países da América do Sul, mas seus habitantes e principalmente os empresários pensam grande e logo  inauguraram o Melancia Rivera Mall & Freeshops, ou no popular Shopping Melancia.  Um verdadeiro coliseu de 33 mil metros quadrados com 60 lojas e dois grandes free shops pertencentes às empresas  Neutral e La Riviera Wisa, do Panamá,  restaurante para 700 pessoas e um estacionamento para 2 mil carros.

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Um empreendimento orçado em 230 milhões.

“Primo pobre & Primo Rico”

No melhor estilo do programa humorístico da Rede Nacional dos anos 50 quando dois primos, um rico (Paulo Gracindo) e outro paupérrimo (Brandão Filho) faziam comparações bem humoradas – Livramento e Rivera convivem há mais de 150 anos com essas diferenças. Há quem afirme que – tanto o Siñeriz Shopping quanto o Shopping Melancia surgiram em resposta à instalação em Santana do Livramento do Hipermercado Big, que inegavelmente foi, pelo menos na época, a maior edificação da região; tanto isso foi preocupante que muitos vereadores foram contra sua construção, pois infringia o plano diretor da cidade. Enquanto Rivera exibia toda sua ostentação com inúmeras construções, Santana do Livramento apenas expiava à distância. Trabalho deste lado basicamente era para a Receita Federal que fiscalizava e prendia o excesso de compras não declaradas.

Com a crise brasileira o movimento em Rivera caiu favorecendo Santana do Livramento que de repente se viu literalmente invadida por incontáveis uruguaios na busca de produtos brasileiros.

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Os principais beneficiados foram os supermercados e comércio em geral que, com o Real desvalorizado os "hermanos"  não perdem a chance de encherem seus carrinhos com os mais diversos produtos que vão deste o setor têxtil, eletrodomésticos mas principalmente alimentos para a Ceia de Natal e finalmente beneficiando este lado verde e amarelo da fronteira, já que lá as coisas estão de mal a pior. Com a queda dramática do número de turistas, essa área majoritariamente comercial – está enfrentando uma crise que já atingiu cerca de 70% dos free shops, ocasionando o fechamento de muitos estabelecimentos e – pela primeira vez Sarandi está mais para cidade cenográfica fantasma do Velho Oeste do a Times Square sul-americana. #Curiosidades #Crise #Funcionamento shopping