Braulio Escobar começou a estranhar o objetivo dos dois passageiros que carregava em seu Fiesta quando um deles subitamente resolveu trocar o destino. O motorista vinculado ao aplicativo Uber, que naquela quinta-feira, 26 de novembro, ainda vivia os seus primeiros dias em Porto Alegre (RS), sentiu que estava sendo enganado quando um deles avisou que não iriam mais ao trabalho. Queriam ir a um supermercado fazer compras para um churrasco.

Já ciente do perigo posicionado no banco de trás do seu carro, Escobar, tentando calcular possibilidades enquanto mantinha a calma guiando pelas ruas da capital gaúcha, imaginava que o interesse dos dois “clientes” seria apenas roubar o veículo.

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Triste engano. Na realidade, quem ocupava o banco de trás do Fiesta eram dois taxistas, que, com as próprias mãos, queriam impor as suas leis e demonstrar à força que o aplicativo de caronas não poderia existir em Porto Alegre.

Assim que o carro parou no estacionamento do supermercado Carrefour, na Avenida Bento Gonçalves, no bairro Partenon, a selvageria começou. Junto aos dois agressores que já estavam no interior do veículo, outros taxistas se somaram e engrossaram o ritmo dos socos e chutes desferidos em Braulio, que agonizou por cerca de 10 minutos e terminou com o rosto completamente descaracterizado.

“Sim, eu cheguei a temer pelo pior. E ouvi isso diretamente dos meus agressores. Frases como "tu vai morrer", "vamos acabar com a tua raça" e "isso aqui não é terra de ninguém" eram ditas a todo momento enquanto eu levava chutes e pontapés”, recorda Escobar, em #entrevista exclusiva concedida à Blasting News Brasil.

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Além de agredirem o motorista do aplicativo Uber, os taxistas destruíram completamente o carro utilizado. Vidros foram quebrados e portas danificadas. As cenas de violência só foram interrompidas quando outros clientes do supermercado notaram a movimentação estranha e foram prestar socorro à vítima. Rapidamente, um vídeo contendo os momentos finais das agressões tomou conta das redes sociais e demonstrou a gravidade do caso.

Cauê Varella, 29 anos, e Alexsandro dos Santos Scheffer, 34, foram identificados como dois dos autores do crime e permanecem presos pela polícia. Nesta quinta (3), outro agressor foi descoberto pela investigação e um novo inquérito foi enviado ao poder judiciário.

Eu voltarei”

A polêmica do Uber segue dando o que falar em Porto Alegre. De um lado, parte dos taxistas segue revoltada com a nova concorrência e bradam aos quatro cantos a suposta ilegalidade do aplicativo. Do outro, a própria população se mostra favorável ao sistema de caronas pagas, sobretudo pela boa qualidade do serviço.

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Na última quarta-feira (2), um projeto de lei que visa regulamentar o Uber em Porto Alegre foi protocolado na Câmara Municipal pela vereadora Fernanda Melchionna (PSOL). O texto prevê cobranças de impostos, vinculação dos motoristas à Empresa Pública de Transporte Coletivo (EPTC), botão de pânico e escolha por parte dos usuários sobre a opção entre homem ou mulher na condução do veículo.

De qualquer forma, a polêmica sobre a vinda do Uber à capital do Rio Grande do Sul seguirá tendo novos desdobramentos, o que não quer dizer que Escobar desistirá de voltar ao seu trabalho.

“Eu voltarei, sim, a trabalhar como motorista parceiro do Uber. Eu preciso do meu sustento e amo meu trabalho. Devo dizer que tive oito dias fantásticos trabalhando como motorista e quero muito voltar o quanto antes à normalidade”, finaliza o esperançoso Escobar. #Ataque #Casos de polícia