Ciente dos problemas enfrentados pelos taxistas porto-alegrenses, mas convicto de que um bom trabalho é realizado, Luiz Nozari, presidente do Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre, concedeu #entrevista à BN Brasil. Leia, em duas partes, a íntegra da conversa.

Blasting News: Qual é a opinião do Sindicato sobre a vinda do aplicativo Uber para Porto Alegre?

Luiz Nozari: O aplicativo desenvolvido pela empresa norte-americana Uber é nocivo ao sistema de táxi da capital, que é regido pela Lei Municipal nº 11.582, de 21 de fevereiro de 2014. O nosso sistema de táxi daqui é tido como o segundo melhor do Brasil, atrás somente de São Paulo.

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No período de Copa do Mundo, fomos a cidade com mais baixo custo de transporte. Certa vez, o jornalista David Coimbra escreveu uma crônica publicada no jornal Zero Hora onde ele achava normal ficar mais de uma hora parado de pé numa fila no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro Antônio Carlos Jobim, o famoso Galeão, esperando um táxi para se locomover até o centro da cidade. Mas, se alguém ficar mais de 15 minutos parado no ponto fixo da Estação e Rodoviária de Porto Alegre esperando um táxi, os telefones das redações dos jornais e emissoras de rádio e TV de Porto Alegre tocam sem parar. O porto-alegrense reclama do serviço e preço das corridas, mas esquece que na capital gaúcha não existe corrida fechada, muito menos valor cobrado conforme o cliente.

BN: O Sindicato condena a atitude daqueles taxistas que agem contra os motoristas do Uber?

LN: Desde a chegada da empresa Uber em Porto Alegre, o Sintáxi tem discutido no âmbito jurídico a presença da multinacional em solo brasileiro.

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Em setembro do ano passado, o presidente da Federação dos Taxistas e Transportadores Autônomos de Passageiros do Rio Grande do Sul (Fecavergs), Moacir da Silva, encaminhou à Confederação Nacional do Transporte (CNT), em Brasília, proposta do Sintáxi, para que seja encaminhado ao Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal) projeto de lei proibindo o aplicativo Uber no Brasil, ou regulamentando o mesmo e estipulando regras claras impedindo a concorrência desleal que levará à falência dos taxistas brasileiros. O Brasil não é “casa da mãe Joana” onde qualquer um chega e faz o que bem entender.

BN: O que se pode dizer sobre as agressões dos taxistas ao motorista do Uber Braulio Escobar, em novembro de 2015?

LN: Com relação ao episódio envolvendo a agressão ao motorista parceiro da Uber, Braulio Pelegrini Escobar, o ato praticado pelos taxistas é repudiado pelo Sintáxi e pela sociedade. Não é pela violência que o problema será resolvido. Prova disso, é que muito antes da Uber iniciar as operações na capital gaúcha (19 de novembro), o Sintáxi já buscava uma solução jurídica com o apoio da Fecavergs.

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Agora, não sejamos ingênuos, pois o motorista parceiro da Uber, ao perceber que seus passageiros não estavam bem intencionados, deveria ter tomado uma atitude. Ele teve oportunidade de ir embora, quando os passageiros desembarcaram do seu carro numa zona considerada perigosa, onde muitos taxistas se recusam a ir. Como um soldado voluntário para uma missão suicida, ele permaneceu quieto e continuou rodando pelas ruas da cidade, sem ao menos parar em algum posto policial e pedir ajuda, como muitos taxistas fazem quando desconfiam do passageiro. O local onde ocorreu a agressão era de grande movimentação, ou seja, com testemunhas e câmeras de vigilância. Se o plano era agredir o Bráulio Escobar, não teria sido melhor escolher um local de pouco movimento, sem testemunhas e câmeras de vigilância? Felizmente Bráulio está bem, recuperado, com saúde e dois agressores estão presos, tiveram suas licenças cassadas e não vão dirigir táxi em Porto Alegre, o que é bom para todos. Mesmo assim, a Uber opera de forma irregular, inclusive o Bráulio e, segundo a EPTC, até o momento 14 veículos foram apreendidos pelos agentes de trânsito. Cada apreensão gera uma multa de R$ 6,7 mil para o proprietário do veículo. #Negócios #Casos de polícia