No dia 26 de novembro do ano passado, as covardes agressões realizadas por taxistas de Porto Alegre contra um motorista do aplicativo Uber chocaram a sociedade gaúcha e ganharam espaço no noticiário nacional. A partir daí, deflagrou-se, com força, o dilema: de um lado, o sistema de táxi acompanhado da vigência da lei e de incontáveis anos de serviços prestados; do outro, a novidade do serviço de caronas pagas e sua clandestinidade pelas ruas da capital.

Sem acerto com a prefeitura municipal e com os órgãos competentes, a Uber segue sem ter uma regulamentação específica em Porto Alegre, de modo que suas atividades vão na contramão da lei vigente.

Publicidade
Publicidade

Na última quarta-feira (20), Vanderlei Capellari, presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), garantiu que o aplicativo não será regulamentado e terá que se adequar a uma “regra geral” para que as empresas tenham condições iguais para competir.

No meio do furacão, que ainda tem relatos de taxistas abordando motoristas porto-alegrenses vestidos de terno como se fossem funcionários da Uber, o Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre (Sintáxi) defende o serviço desempenhado pela categoria na capital dos gaúchos, traça um paralelo com demais cidades brasileiras e critica a Uber. Em #entrevista exclusiva à Blasting News Brasil, Luiz Nozari, presidente da entidade, classifica o aplicativo como “nocivo”.

“A Uber é nociva ao sistema de táxi da capital. Não recolhem nenhum tributo seja de ordem municipal, estadual ou federal e todo o lucro é direcionado para a matriz da empresa, em São Francisco, na Califórnia.

Publicidade

Além disso, a Uber tem total liberdade para cobrar o preço que quiser. Ao contrário disso, o táxi é tarifado pelo poder público municipal e diversas taxas são recolhidas para os órgãos públicos. Se você tentar abrir um negócio nos Estados Unidos, por exemplo, terá um um conjunto de leis a cumprir”, salientou Nozari.

Nozari defende serviço oferecido pela categoria

Casos isolados têm manchado a categoria dos taxistas em Porto Alegre. Além dos ataques ao motorista da Uber, Braulio Escobar, na tarde do dia 26 de novembro do ano passado, outros episódios foram registrados a seguir: um dia depois das agressões, outro taxista postou no seu Facebook um relato de “guerra” ao aplicativo. Mais recentemente, no dia de 16 de janeiro, um homem foi morto na Zona Sul de Porto Alegre e três taxistas são suspeitos de tê-lo perseguido. Nozari repudia os acontecimentos, e volta a defender o sistema na capital.

“O Sintáxi não promove, nem patrocina qualquer manifestação ou protesto que tranque ruas e impeça o ir e vir das pessoas, bem como ações que incitam a violência e a anarquia.

Publicidade

Ao mesmo tempo, devo citar que o sistema de táxi de Porto Alegre é considerado o segundo melhor serviço do Brasil, ficando atrás apenas de São Paulo. Na Copa de 2014, das 12 cidades que sediaram, Porto Alegre é a que apresentou o custo mais barato de táxi, mas parece que isso não chamou a atenção da imprensa e da opinião pública”, alfinetou.

Por fim, Nozari ainda atenta para um detalhe importante para qualquer grande categoria de trabalho: o perigo da generalização. Em sua visão, “se há maçãs podres, devemos retirá-las”:

“Se existem maçãs podres no cesto, devemos retirá-las, pois as demais são boas, mas jogar fora todo o cesto é uma medida muito simplista e preguiçosa, típica do brasileiro que não quer se incomodar. Lembrando que o taxista mais antigo de Porto Alegre tem 92 anos de vida e 54 de profissão. Sua ficha é limpa e não há nenhuma reclamação contra ele. Isto é um exemplo de vida e profissionalismo. Vamos jogar fora todo o cesto?” #Negócios #Casos de polícia