O relógio aponta 11:55. O estômago ronca. A fome indica uma manhã exaustiva de trabalho. O arroz, a batata e o bife surgem como elementos indispensáveis para aguentar a dura jornada da tarde. Você chega no restaurante. Separa uma mesa, deixa o crachá em cima e vai sorridente para o buffet se deliciar com as maravilhas oferecidas pelo lugar. O prato é servido com uma rica variedade de saladas, carboidrato, proteína... E a sobremesa vem logo em seguida. Hora de comer. Opa, faltou uma coisa. O sal. Cadê ele?

Pois é. Ao menos para os porto-alegrenses, a partir de agora, o sal só poderá ser utilizado se for solicitado ao garçom do estabelecimento.

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Na última segunda-feira (15), foi aprovado pela Câmara Municipal da capital dos gaúchos um projeto que estipula a criação do programa Menos Sal, Mais Saúde. A emenda aprovada também proíbe que os estabelecimentos deixem os recipientes de sal sobre as mesas à disposição dos clientes. Quem quiser o condimento, deverá chamar o garçom.

Mesmo com a nova proibição, não há uma punição clara para o estabelecimento que descumprir a ordem. A autora do projeto, vereadora Sofia Cavedon, do Partido dos Trabalhadores (PT), ilustra um componente direcionado à saúde pública para explicar a importância do tema. “O intuito principal da emenda apresentada é reduzir o contato dos consumidores com a utilização em demasia do sal”, disse.

“Os excessos tem causado doenças como obesidade, diabetes, hipertensão arterial e até em alguns casos cânceres.

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É o tipo de caso que a gente sabe que dá para prevenir, mas depois que essas doenças são descobertas não há mais cura. Nós precisamos fazer um processo constante de conscientização tanto com os restaurantes quanto com os bares para mostrar que essa é uma medida favorável aos seus clientes. Não só dos clientes, como da saúde da sociedade de uma forma geral”, acrescentou Sofia.

Originalmente, o projeto de lei que institui o programa Menos Sal, Mais Saúde é do vereador Cleiton, do PDT. A proposta pretende conscientizar a população dos riscos do consumo desmedido do sal. O autor ainda sugere a criação de uma semana de conscientização, de 20 a 26 de abril, com uma série de medidas de conscientização, distribuição de panfletos indicativos e medição da pressão sanguínea.

Muitos porto-alegrenses, no entanto, não gostaram da medida e chegaram a questionar se não havia outros temas relevantes para a Câmara tratar, como segurança pública, por exemplo. O assunto chegou a ser um dos mais tratados no Twitter, durante essa terça-feira (16).

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Sofia Cavedon, por sua vez, pediu um voto de confiança da população e ressaltou a importância de não se “subestimar o tema da aprendizagem da saúde pública”.

Ainda que a medida tenha chamado a atenção dos gaúchos, ela não é uma exclusividade de Porto Alegre. No ano de 2011, o governo de Buenos Aires, na Argentina, adotou medida similar como forma de conter a hipertensão arterial. Com objetivo semelhante, o Uruguai, ainda sob gestão do carismático presidente Pep Mujica, também restringiu o sal em 2014. O uso da maionese também foi vetado nos restaurantes uruguaios. #Comportamento #Alimentação Saudável