Preservar, promover e estimular a memória e o patrimônio cultural das religiões de matriz africana praticadas no sul do Brasil, esse é o principal objetivo da revista Odum, criada em 2013, pelo Designer Gráfico Diego Valcam e também seu colega, Leandro Lopes. As primeiras edições foram todas produzidas através de parcerias com instituições, associações e  comunidade religiosa. Agora, 25 pessoas de diferentes cidades do Rio Grande do Sul compõem o corpo editorial. Para Diego, os museus brasileiros não trabalham a memória dos povos de terreiro, em específico do batuque gaúcho, apesar da imensa diferença, muitas vezes confundidos por leigos com o candomblé da Bahia.

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"Existem, no Rio Grande do Sul, muitas casas de Batuque que seguem os preceitos de determinadas nações vindas da África, embora algumas casas sejam da mesma Nação, ainda assim, têm suas peculiaridades, devido ao fato que nossa Religião Africana não foi uma #Religião escrita  e sim vivida e transmitida oralmente na vivência de seus integrantes, bem como, adequada à realidade aqui encontrada e vivida pelo negro, o que torna nosso Batuque muito genuíno", declara o idealizador do projeto cultural, Diego Valcam.

Rio Grande do Sul é o estado mais Afro-Religioso do Brasil

Conforme revelado pelo IBGE, o Rio Grande do Sul é apontado como o estado mais Afro-Religioso do país. A estatística acerca das religiões afro-rio-grandenses constitui uma lacuna ainda não preenchida. Estima-se a existência, neste Estado, de cerca de trinta mil terreiros, espalhados por todo o seu território, havendo, porém, uma concentração maior na região metropolitana de Porto Alegre. 

A estruturação do Batuque no estado do Rio Grande do Sul deu-se no início do século XIX, entre os anos de 1833 e 1859.

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Tudo indica que os primeiros terreiros foram fundados na região de Rio Grande e Pelotas. Tem-se notícias, em jornais desta região, matérias sobre cultos de origem africana datadas de abril de 1878, (Jornal do Comércio, Pelotas). Já em Porto Alegre, as notícias relativas ao Batuque, datam da segunda metade do século XIX, quando ocorreu a migração de escravos e ex-escravos da região de Pelotas e Rio Grande para  a Capital. Lembrando sempre que a língua usada é a Yoruba. 

O conteúdo da revista, publicada a cada bimestre, é definido a partir de datas oficiais e acontecimentos que estejam ligados à memória do povo afro-religioso. O primeiro exemplar, por exemplo, prestou homenagem à Iemanjá, Orixá rainha das águas. Além disso, já foram feitas edições voltadas para o lado politico, como no caso em que a deputada Regina Becker abriu um projeto de lei que proibia o sacrifício de animais em rituais afro, causando mobilização de toda a comunidade.

"Nosso objetivo é lembrá-los, transformando a revista em uma iniciativa de museologia social.

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Queremos levantar questionamentos para atender as minorias que não são vistas na memória oficial, solucionar o preconceito de forma diferente", afirma Diego, destacando que tentam usar uma linguagem acessível para todos, para mostrar ao público seus direitos e conquistas. #Negócios #Comunicação