Um homem de sessenta e cinco anos foi agredido dentro de uma delegacia da região metropolitana de Porto Alegre. O crime do idoso foi confundir a porta do banheiro do distrito policial com a porta da sala da delegada da unidade.

A vítima possui debilidades mentais em razão de ser autista e portador do Mal  de Alzheimer. Além disso, esse mesmo idoso é surdo. O mesmo havia sido levado pela filha a delegacia, pois um boletim de ocorrência seria lavrado por conta de uma tentativa de abuso que uma criança da família havia sofrido. Como o idoso é interditado e possui suas limitações, a filha não podia deixa-lo sozinho em casa.

A agressão

A filha da vítima conta que, logo após adentrar a sala da delegada, o seu pai começou a ser xingado de louco e agredido com chutes.

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Como não entendia as ordens para sair da local, o idoso ficou parado e agentes policiais da unidade foram chamados para ‘contê-lo’, ocasião em que foi derrubado no chão e algemado.

O ato gerou hematomas nas mãos e braços do homem, que foi detido por desacato e resistência à prisão. A família não conseguiu convencer as autoridades policiais de que o idoso era doente e a vítima precisou passar a noite na prisão.

Sua filha decidiu tentar contato com o pai pela manhã, quando recebeu a notícia de que o idoso foi transferido para um presídio. Após contratarem um advogado, conseguiram que a juíza do caso concedesse a liberdade provisória ao idoso devido o mesmo sofrer de distúrbios mentais.

As consequências

A família formulou uma petição denunciando a atitude dos policiais e da delegada ao Ministério Público de Gravataí.

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A promotora que pegou o caso, Ana Carolina de Quadros Azambuja, ficou perplexa com o ato, pois não entende o que levou os policiais a pedirem a prisão do idoso, uma vez que casos de desacato e resistência são passíveis de liberdade condicionada a assinatura de um termo circunstanciado.

Andrei Vivan, corregedor-chefe da polícia civil, anunciou que um inquérito foi aberto para descobrir o que aconteceu e investigar a conduta dos policiais. Já o idoso, fez exames ambulatoriais que constataram no laudo, agressão com traumas nas mãos. Além disso, sua filha conta que ele tem chorado em casa desde o ocorrido. Os nomes da vítima, seus familiares e os policiais envolvidos foram mantidos em sigilo. #Crime #Violência #Casos de polícia