Não se surpreenda, caro leitor gaúcho, se você estiver andando em frente ao Palácio da Polícia, em #Porto Alegre, e se deparar com uma série de viaturas estacionadas em frente ao prédio. Não se trata de um protesto dos agentes, nem de uma rebelião no interior do edifício. Sem mais vagas nos sistemas prisionais da capital do #Rio Grande do Sul, os órgãos de segurança estão tendo que improvisar: é nos próprios carros - que deveriam servir para capturar mais bandidos - que os presos estão cumprindo suas penas.

Nesta quinta-feira, 24, pelo segundo dia consecutivo, o cenário se repetiu em Porto Alegre. O fato é que não há mais vagas nas celas da 2ª Delegacia de Pronto-Atendimento da capital, o que obriga os agentes a "improvisarem".

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De acordo com informações divulgadas pelo portal G1, nove detentos se encontravam em cinco viaturas e um micro-ônibus da polícia militar gaúcha. O Palácio é localizado na Avenida Ipiranga, uma das mais tradicionais da cidade.

Assim que atingem o limite de 10 presidiários, as celas do Palácio da Polícia são consideradas "superlotadas". A situação obriga o improviso e ainda faz com que agentes tenham que se deslocar até ao lado das viaturas para monitorarem os presos. Com isso, menos policiais trabalharam no policiamento ostensivo da cidade. Na tarde desta quinta, oito PMs trabalhavam na segurança dos presos no interior dos carros.

Mesmo tendo mais perguntas do que respostas, a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) garante que está trabalhando para buscar mais vagas e normalizar a situação dos detentos.

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Na última terça-feira, a Secretaria de Segurança Pública anunciou que um ônibus vindo de Uruguaiana, Fronteira Oeste gaúcha, seria usado para abrigar os presos sem cela. O veículo foi testado e tem celas que, no total, são capazes de abrigar de 20 a 30 pessoas, mas a última informação é de que o ônibus ainda precisará de reformas antes de ser utilizado no lugar das viaturas.

"Nós vamos continuar trabalhando no regime de urgência. Mais do que urgência, podemos dizer que essa situação se trata de emergência. Não aceitaremos a audácia e as ações de provocação dos criminosos. Nós não iremos recuar, muito menos deixar de prender", garantiu Cezar Schirmer, secretário de Segurança do Rio Grande do Sul.

Em sua fala, Schirmer recordou uma ação de vandalismo dos detentos, que depredaram um micro-ônibus da brigada no último final de semana utilizado como cela. A medida foi suspensa a partir da ação dos presidiários.

Além do aguardo pelo ônibus, que deverá ser utilizado ainda nessa semana, as autoridades aguardam a liberação de dois centros de triagem com mais 192 vagas.

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A expectativa é de que eles sejam reabertos em até 45 dias. Outra medida estudada pelo governo é trocar prédios de fundações extintas por presídios a ser construídos pela iniciativa privada. Para isso, o poder público precisará aguardar a resolução da Assembleia Legislativa gaúcha sobre o pacote de medidas anunciado pelo governador José Ivo Sartori, em que costa a extinção de uma série de fundações. #Prisão