Algo muito sério, caracterizando o profundo distanciamento entre as classes econômicas e sociais do Brasil, está acontecendo neste exato momento na cidade de Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul e, se eventualmente a Câmara de Vereadores local não olhar com atenção o problema em questão de forma imediata, milhares de pessoas com as suas respectivas famílias poderão ser proibidas de gerar renda com uma determinada atividade já em 10 de março, sexta-feira. Trata-se da lei que tem por objetivo a proibição de que os indivíduos que trabalham como catadores de material reciclável pela cidade continuem a conduzir os seus carrinhos; entretanto, devem ser consideradas as palavras de Antônio Carbonero, um dos milhares de catadores de Porto Alegre, que está simplesmente apavorado com a ameaça que paira sobre a cabeça de todos, o qual afirmou em tom enfático: “nossa vida depende do carrinho”.

A proibição a ser iniciada em 10 de março, refere-se aos carrinhos movidos pela tração humana, sejam eles conduzidos por homens ou mulheres, e que coletam material reutilizável pelas indústrias em geral, os quais não poderão mais ser utilizados pelas ruas e espaços públicos da principal cidade gaúcha. Em outras palavras, se a Câmara de Vereadores não fizer nada para interromper o prazo pré-estabelecido, em aproximadamente 14 dias milhares e milhares de pessoas não contarão mais com nenhuma fonte de renda, obtida por meio de um trabalho pesado, porém digno e honesto.

Foi o vereador Sebastião de Melo do PMDB-RS que apresentou um projeto e que foi aprovado em 2008, proibindo diretamente a utilização de carroças tracionadas por animais em Porto Alegre, mas ainda dentro do escopo da mesma lei, havia a remoção definitiva dos catadores com a aplicação, sem sucesso, do programa batizado como “Todos Somos Porto Alegre”, que ministraria vários cursos aos catadores, inserindo-os gradativamente no mercado de trabalho com carteira assinada.

O catador acima mencionado, Antônio Carbonero, revela que até fez alguns cursos e trabalhou em empresas da região; no entanto, a #Crise econômica do Brasil fez com que fosse demitido e ele teve como única opção voltar a coletar material reciclável. Pior ainda foi o que aconteceu com outros catadores, que por serem analfabetos, não puderam aproveitar a contento o conteúdo didático repassado pelos multiplicadores.

A boa intenção de Sebastião Melo em coibir o sofrimento animal foi louvável, por outro lado, quanto aos carrinhos de coleta dos homens, acabou gerando ainda mais a exclusão social. Por sua vez, Marcelo Sgarbossa, vereador pelo PT-RS, tomou a iniciativa de protocolar um projeto adiando até 2022 a data para que essa lei específica passe a valer. O único detalhe crucial é que os dirigentes dos partidos políticos possam acordar de que a proposta seja encarada como prioritária e assuma a dianteira frente a outras propostas mais antigas. #PT #PMDB