A Operação Túnel Santo ocorria há quatro meses. Após suspeitas geradas pela movimentação na casa, uma equipe da #Polícia vinha monitorando diariamente a área. Na manhã desta quarta-feira (22), policiais entraram no local e frustraram o que poderia ter sido a maior #fuga do sistema carcerário do Rio Grande do Sul. O delegado Mário Souza, diretor de investigações do Denarc (Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico) estimou que por este caminho, poderiam fugir de 200 a 1.000 detentos.

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Entendendo melhor o caso

A #cadeia Pública de Porto Alegre (antigo Presídio Central) é um dos cinco presídios gaúchos com más condições, tendo hoje 4.552 presos em um espaço que seria para 1.905 pessoas. Dados da Susepe (Superintendência dos Serviços Penitenciários), que também constam em relatório do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Além dos relatos das péssimas condições, o local também foi denunciado na Organização dos Estados Americanos (OEA) pela atual situação.

Quando os policiais entraram na casa, encontraram 4 pessoas mexendo na areia, e outras 4 dentro do túnel, que tem aproximadamente 50 metros; destas pessoas 7 eram homens e 1 mulher. Um ponto que chamou a atenção dos agentes envolvidos na Operação foi a grandeza da estrutura montada para auxiliar na fuga dos criminosos.

De acordo com o Delegado Rafael Pereira era uma estrutura de engenharia complexa, com iluminação, ventilação, pilares de madeira para sustentação, ventiladores, recolhimento de areia entre outros. De acordo com a polícia, as pessoas que estavam trabalhando na obra, receberam mil reais por semana para fazer o serviço.

Tudo indica que a fuga deveria ocorrer durante o Carnaval, para aproveitar o feriado prolongado. Outras informações reunidas pela Polícia revelam que a obra estava sendo feita para permitir a saída de membros de uma facção específica, e se membros de outras facções quisessem participar da tentativa de fuga teriam que pagar pela oportunidade.

O chefe de Polícia, Delegado Emerson Wendt, anunciou que "A investigação está iniciando, tem vários fatores a serem trabalhados. Essa facção criminosa merece uma investigação bem detalhada, e o Denarc vai realizar isso agora". A ação é resultado de quatro meses de investigações e, segundo o delegado, terá continuidade.

A Polícia já tem informações sobre qual a facção criminosa estava bancando essa estrutura e seria retirada da Cadeia. Eles estiveram fazendo a vigilância constante da casa para confirmar as informações, decidiram entrar hoje e se surpreenderam com a grandiosidade da estrutura montada. Somando este ocorrido às diversas rebeliões e mortes no resto do país, podemos considerar um grande sinal de alerta para os órgãos ligados à segurança no Estado.