Já se falou por aqui sobre a grandiosidade do Carnaval do Recife, mas, infelizmente, nem tudo é perfeito na folia da capital pernambucana. Quem foi ao Marco Zero da cidade, no bairro do Recife Antigo, ontem à noite, deparou-se com confusões, brigas e falta de estrutura. A #Violência foi umas das principais atrações da noite, ao lado da total falta de mobilidade.

Apresentaram-se nessa segunda-feira no palco principal as bandas Nação Zumbi, Jota Quest e O Rappa. Durante os shows, várias brigas foram presenciadas, fazendo, inclusive, com que os vocalistas parassem a apresentação na tentativa de acalmar os atos violentos. Mas as piores situações ainda estavam por vir.

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A partir das 4h da manhã, quando o grupo O Rappa, última atração da noite, ainda se apresentava, boa parte do público começava a deixar o local. Uma espécie de romaria caminhava pelas ruas do Recife à procura de um meio de transporte para retornar para casa. Táxis quase não havia, ônibus menos ainda. Por causa da quantidade escassa de transporte, alidada à forte chuva e aos picos de violência, os poucos taxistas que circulavam pelo local estipulavam preços pelas corridas. O trajeto que normalmente custaria em torno de R$ 20,00 estava custando R$ 70,00.

Milhares de pessoas se dirigiram para o Cais de Santa Rita, o terminal de ônibus mais próximo do Recife Antigo, na expectativa de conseguir um meio de locomoção. Os poucos ônibus que partiram seguiram lotados, com pessoas entrando pelas janelas e o veículo trafegando com as portas abertas e passageiros pendurados.

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O cenário ideal para um trágico acidente.

Enquanto aguardavam pelo transporte, as milhares de pessoas que estavam no Terminal do Cais de Santa Rita foram vítimas da violência. Brigas e pancadarias aconteciam de instante em instante, gerando pânico e correria. Nenhum policial estava presente no local. Uma multidão fugiu em direção às ruas centrais do Recife, enquanto uma tempestade dificultava a locomoção. Poças de lama e sujeira eram foco para possíveis infecções. Sem exagero, era como se as cenas de filmes sobre gerras e o fim do mundo estivessem se materializando.    

Em meio ao caos que foi a segunda-feira de #Carnaval na capital pernambucana, pergunta-se: Cadê o planejamento, a segurança e a mobilidade que deveriam ser asseguradas pelo poder público? A quantidade de policiais nos arredores do Marco Zero, principal polo do Carnaval do Recife, era mínima. Trasporte para deixar o local também não havia.

É triste mas parece que a tão reverenciada festa popular está seguindo o caminho da privatização, tornando-se minimamente segura apenas para quem estiver disposto, e tiver condições, de pagar a mais por isso. Se as coisas continuarem como estão, os próximos carnavais só serão seguros para quem estiver nos camarotes e tiver seu carro para voltar para casa. Será uma pena se isso de fato acontecer. #Governo