Recife é a cidade líder mais uma vez no ranking nacional das capitais com maior volume de ruas congestionadas. São 60% de lentidão no horário de pico, 14% de diferença em relação a São Paulo. que possui taxa de 46%. Para quem depende do transporte público os problemas são ainda maiores: segundo o Grande Recife Consórcio de Transportes (GRCT), órgão que coordena o sistema de transporte, 383.728.281 passageiros utilizaram o sistema público como opção de transporte em 2013.

Terminais e ônibus lotados, principalmente em horários de pico, vêm deixando os usuários insatisfeitos. O auxiliar de marketing Manoel Neto gasta em torno de duas horas para ir de sua casa em Maranguape II, no município de Paulista, até o local onde trabalha, no centro do Recife.

Publicidade
Publicidade

Em média são 22 km de distância. “Todos os dias eu enfrento uma fila quilométrica no terminal de integração e só depois do terceiro ou quarto ônibus é que consigo um lugar para fazer a viagem sentado”, reclama.

395 é número total de linhas que compõe o sistema público do Recife. 372 linhas são gerenciadas pelo GRCT e 23 linhas são gerenciadas pela CTTU, destinadas ao sistema complementar. O SEI (Sistema Estrutural Integrado), é uma rede de transporte que funcionam em conjunto ônibus e metrô, tendo suas linhas integradas por meio de terminais. Foi criado para atender o transporte em massa com tarifa única. Responsável por 185 linhas, atendendo 10 dos 14 municípios da Região Metropolitana do Recife.

Mas do que adianta essa facilidade de locomoção, se o trânsito não anda? Não compensa trocar o conforto do carro por um ônibus se os dois vão ficar presos em um congestionamento.

Publicidade

Hoje a cidade conta com seis corredores para ônibus, dois exclusivos para BRT que começaram a funcionar em Junho de 2014, a fim de resolver o problema de mobilidade na capital. No trecho leste/oeste, saindo de Camaragibe, até seu ponto final, a Estação Guararapes, no Recife, o percurso durava 1h30 em média, agora foi reduzido para 40min; e o Norte/Sul, que sai da cidade de Igarassu até o centro do Recife, com percurso que dura uma hora no máximo.

A população aprovou o projeto, mas os motoristas não se agradaram muito. Depois das intervenções feitas, o número de faixas para outros veículos foram reduzidas. Na Av. Caxangá, por exemplo, passaram de três para duas. Assim começa uma disputa de espaço com os outros ônibus e, por causa das paradas constantes, os engarrafamentos se formam. De acordo com o diretor de operações do GRCT, André Melibeu, esses transtornos só vão acabar quando as obras terminarem e todas as linhas de BRT estiverem funcionando, pois nenhum outro ônibus irá trafegar pelas vias.

Publicidade

A capacidade é de 160 a 270 passageiros, dependendo do veículo escolhido. É um modal que pode ser implantado em médio prazo para melhorar vários problemas, como superlotação, viagens perdidas e falta de conforto. No Brasil, Curitiba foi a primeira cidade a criar o sistema, isso em 1974. Naquela época não existia a imensa quantidade de carros como hoje, então nem precisava de algo que agilizasse o deslocamento dos ônibus, pois o engarrafamento era nulo, e o fluxo dos veículos fluía normalmente como deve ser.

Recife fez uma escolha que demorou muito para ser concluída e que irá demorar mais ainda para começar a funcionar completamente. Na Av. Agamenon Magalhães, quase 80 mil automóveis passam por ela todos os dias nos dois sentidos. Um projeto foi feito para construir um ramal do BRT até a estação do metrô de Joana Bezerra, mas as obras nem começaram. Assim justifica o secretario das cidades Danilo Cabral: “Uma artéria como a Agamenon precisa de um olhar especial, devido ao grande volume de veículos. Optamos por fazer essa etapa por último (entre o Shopping Tacaruna e o Centro do Recife) para reduzir os transtornos. Vamos concluir o plano de circulação e logo em seguida começaremos a obra na avenida”. #Ser Educacional