A agora jornalista Jaqueline Fraga escolheu um importante tema para desenvolver durante o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Então estudante de jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a jovem, de 25 anos, abordou a ascensão da mulher negra no mercado de trabalho.

Durante as pesquisas, que aconteceram no ano passado, a estudante comprovou a pouca presença da mulher negra em profissões valorizadas social e financeiramente. Analisando dados do último Censo Demográfico, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010, foi constatado que as pessoas negras ganham menos em 96% das 486 ocupações listadas pela pesquisa.

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Ou seja, em quase todas as profissões há variação no salário entre negros e brancos que desempenham a mesma função.

A questão é ainda mais evidenciada quando comparam-se os gêneros. De acordo com o Censo, o rendimento das mulheres negras representa apenas 39% do que recebe um homem branco. E mais, nas carreiras de maior renda, as mulheres e os brasileiros que se autodeclaram pretos ou pardos são, quase sempre, minoria.

Tendo em vista essa desigualdade e objetivando desenvolver um trabalho representativo, a então universitária produziu uma série de perfis com mulheres negras que atuam nas profissões mais valorizadas, segundo dados do IBGE e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Intitulado Negra Sou, o projeto conta a história de profissionais das áreas de Medicina, Direito, Engenharia, Odontologia e Militar e pode ser conferido no site criado pela jornalista (http://projetonegrasou.wix.com/negrasou).

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Um de seus desejos era de que a juventude negra se enxergasse nas histórias retratadas e que o projeto contribuísse para o combate ao #Racismo e o empoderamento da mulher negra. "São duas variáveis que podem dificultar o acesso a profissões ou ao crescimento dentro delas: ser mulher e negra. Não é difícil encontrar casos de racismo ou sexismo na nossa sociedade. Além disso, ao falar de mulheres negras em profissões valorizadas social e financeiramente, contribuímos para o empoderamento e o fortalecimento do feminismo negro, para a desconstrução de estereótipos e para a imagem positiva dos jovens negros que, inclusive, identificam-se e motivam-se para ocupar posições semelhantes."

A jornalista destaca ainda a autorrealização pessoal e profissional com o projeto: "Quando comecei a pensar sobre o tema do meu projeto de conclusão de curso, tinha em mente o desejo de produzir algo instigante e motivador. Algo que me orgulhasse e que pudesse fazer a diferença para quem conhecesse o trabalho. Falar sobre gênero e raça, sobre os preconceitos atrelados, foi empoderador", ressalta.

O projeto Negra Sou conta, ainda, com uma página no Facebook (www.facebook.com/negrasou), em que são abordadas questões de gênero e de raça. Agora, de acordo com a jornalista, a expectativa é transformar a série de perfis em livro-reportagem.  #Educação #Comunicação