Não foi a primeira nem será a última vez. Ocorrências em que há perda de vidas preciosas se repetem. Na realidade, vidas estão sujeitas a encontros inexoráveis com a morte, porque os agentes desta são em grande número e de difícil combate. Os agentes do bem, responsáveis pela garantia da vida dos cidadãos ou são insuficientes ou possuem limitações aliadas à impotência. Ou ainda, pior, ajustam-se às circunstâncias pelos laços da corrupção.

Assim, vidas que representam sonhos de vidas nas quais se depositam a esperança de um mundo melhor são ceifadas covardemente. Uma dessas vidas, a de Alex Schomaker Bastos, de 23 anos de idade, foi interrompida, e com ela foram também interrompidos sonhos da família, dos amigos, da sociedade.

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Aviso não faltou. No mesmo local em que abordaram Alex, um grupo de estudantes foi assaltado (em frente ao campus da UFRJ, na Praia Vermelha, na Urca). Um pequeno assalto, e os assaltantes ilesos. Aliás, reincidência dos bandidos, que se perde na memória, sem nenhuma providência para o futuro.

Alex estudava Biologia na UFRJ, que terminava o curso e colaria grau segunda-feira. Estava animado para cursar o mestrado. Tinha o sonho de tornar-se cientista e dedicar-se ao estudo de doenças degenerativas. Os seus 23 anos de vida foram dedicados, ainda como estudante, a descobrir a cura de doenças raras. Melhor aluno de sua turma. Fora classificado em primeiro lugar no concurso vestibular. Queria realizar pesquisa sobre genoma humano. Aspirava a ser professor do Colégio Pedro II. E mais: estava nos seus planos estudar doutorado na Finlândia, onde se especializaria em mapeamento genético de doenças degenerativas.

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Que vida preciosa!

Foi assim: ao sair da universidade, foi jantar com a namorada junto com amigos num shopping em Botafogo. Depois, colocou a namorada num ônibus e passou a aguardar, no mesmo local, a condução de que necessitava: em frente a um dos portões de entrada do campus da UFRJ, na rua General Severiano, em Botafogo. Ligou para a mãe: "Oi, mãe, tô indo para casa". Os bandidos não permitiram. Abordado por dois bandidos, reagiu ao assalto e acabou baleado pelos dois, com três tiros. Socorrido, não resistiu e veio a falecer ao chegar ao Hospital Miguel Couto, depois de ter passado pelo Hospital Rocha Maia.

O crime foi registrado como latrocínio. Foram ouvidas testemunhas do crime e foram solicitadas gravações efetivadas por câmeras utilizadas em prédios e lojas próximas ao local que possibilitem a identificação dos criminosos, mas há a expectativa de se confirmar a obtenção de gravações de imagens da ação deles, pouco antes do crime, na Urca.

Um grupo de alunos, por iniciativa própria, já monitora o local, a partir de um esquema pelo qual o primeiro aluno que sai da universidade informa como está a situação, e os demais se comportam em função disso.

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Grupo que já conta com cerca de trinta estudantes. Por sua vez, o comando do 2º BPM, de Botafogo, informou que, diante dos acontecimentos, a área do campus já conta com o reforço de 24 horas diárias de policiamento.

Enquanto isso, o recém-nomeado comandante geral da Polícia Militar anunciou que vai implantar um novo conceito de policiamento que aproxima o policial do cidadão, citando Edmund Burke, político anglo-irlandês: "Para o triunfo do mal, basta que os bons fiquem de braços cruzados". Os estudantes de nossas universidades esperam por uma polícia sem braços cruzados e que proteja seus sonhos. Que assim seja! #Educação