Em meio ao turbilhão que atinge a política brasileira, muitas são as dúvidas sobre o futuro da nação. O Congresso iniciou os trabalhos para a reforma política. Diante deste quadro, o cientista político e constitucionalista Júlio Aurélio lança uma enquete para saber o que o povo brasileiro pensa sobre obrigatoriedade do voto, candidaturas independentes, financiamento público, reeleição, voto proporcional, distrital etc.

O lançamento ocorre durante a palestra Caminhos da Reforma Política no Brasil: sim ou não, dia 10, às 17 horas, na Casa de Rui Barbosa (R. S. Clemente, 134 Botafogo, Rio), com emissão de certificado aos estudantes e pesquisadores presentes.

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Para Júlio Aurélio, a reforma tem que atingir todos os poderes da nação: "Ela é absolutamente necessária e deve reforçar pontos de moralidade pública. O problema da política brasileira é o afastamento entre eleitores e eleitos. Muita gente nem lembra em quem votou. Este aspecto é o sinal do fracasso do sistema eleitoral e partidário", resume Júlio Aurélio, favorável a qualquer mudança, "pois do jeito que está não dá para ficar. O ideal seria experimentarmos novidades, como o voto distrital, ainda que não exclusivo. De qualquer forma, espero que em breve o cenário seja melhor", ressalta.

O pesquisador lembra que o sistema político brasileiro é único no mundo. proporcional com lista aberta, mas que permite coligações. Com isso, são 32 partidos (28 na Câmara). A situação gera problemas de representatividade.

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Para Júlio, a solução é inovar: "O atual sistema ficou ultrapassado para nossa realidade. É evidente a sua falência. Nossa cultura é votar na pessoa, independentemente do partido a que é filiada. Sem reforma política não haverá como combater a corrupção. Dentre as inovações, defendo que já é hora do voto facultativo, pois o obrigatório já deu tudo que podia em aprendizado democrático à população, em 26 anos de democracia", justificou.

Júlio Aurélio é autor de 14 livros. Em dez deles, defende a reforma política como essencial até mesmo para outras reformas, como a dos serviços públicos.

Presidente quer rapidez

Como objetivo de agilizar os trabalhos, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, criou uma comissão especial para tratar da reforma política. Na última quarta-feira (4), a nova comissão foi criada para analisar somente as regras que possam ser aprovadas por projetos de lei.

As Propostas de Emendas à Constituição (PEC) precisam passar por dois turnos de votação e com a aprovação de 308 deputados - três quintos da Casa. Já para um projeto de lei, basta a maioria simples para ser aprovado.