Um dos cartões-postais mais admiráveis do Rio de Janeiro, o Pão de Açúcar, majestosamente localizado na Enseada de Botafogo, e junto à paisagem o Cristo Redentor abençoando nossa cidade, é cercado por lixo de toda a espécie de material.

Mesmo a areia da Praia de Botafogo é imprópria para o uso. Não se pode sentar, nem mesmo praticar cooper pelas areias da praia, poluída por toda gama de sujeira e micróbios, sem contar a nauseante fragrância que emana na região.

Frequentada por animais portadores de vírus, como os pombos, e as tradicionais aves que encontramos nos lixões da vida, os urubus, alguns moradores já viram até ratazanas, animais de hábitos noturnos, habitando a praia.

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E será neste cenário, um dos mais tradicionais da cidade, que será realizada a quarta etapa da Copa Rio de Ciclismo, no dia 21 de junho. Seria este o local apropriado para a prática de uma atitude tão salutar, como as competições esportivas?

Ainda este mês, no dia 6, um sábado, foi organizado um "apitaço" de protesto contra a poluição na Baía de Guanabara, espaço aquático que também será utilizado nos Jogos Olímpicos do ano que vem.

Um dos organizadores do protesto foi o biólogo Mário Moscatelli, opinando que o local é totalmente inadequado para as competições das Olimpíadas 2016: “No pré-olímpico do ano passado colocaram os atletas dentro daquela latrina. Neste ano, corremos o risco novamente de expor os atletas a uma hepatite ou uma gastroenterite”. Lamentável e vergonhoso.

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Segundo o conceituado biólogo, o problema não seria a verba destinada para resolver, mas sim as péssimas gestões. Moscatelli prevê que, “com uma gestão e fiscalização eficientes, em 20 anos isso aqui fica limpo.”

Na verdade, os resíduos vêm de vários pontos, até mesmo de rios.

Apesar da existência dos “ecobarcos”, que trabalham recolhendo o lixo na enseada, essa ação acaba sendo menos eficiente do que um paliativo. A COMLURB informou que a limpeza é feita diariamente nas areias da Praia de Botafogo, e que a maioria dos resíduos são trazidos pela maré.

Protestos pacíficos contra a poluição e o descaso das autoridades são absolutamente válidos, mas o que resolveria realmente a questão é aquilo que o Dr. Moscatelli sugeriu: uma gestão política mais eficiente.

Uma das maiores frustrações dos moradores do bairro, talvez seja o fato de eles jamais terem conseguido sequer tomar um banho de mar na praia do bairro que escolheram para morar.  #Natureza #Rio2016