O transporte urbano no Rio de Janeiro anda caótico há tempos, mas atos  graves vem sendo  cometidos pelas empresas de transporte urbano diariamente, sendo notória a necessidade de uma  Lei severa, a fim de finalizar os riscos de negligência e imprudência.

Os motoristas de ônibus tem de realizar duas atividades totalmente incompatíveis, de motorista e cobrador, na maioria das linhas de ônibus, e ainda vivem o dilema de ser apontados como os responsáveis pelas vidas que transportam, sendo até penalizados se um acidente ocorrer.

O cidadão é multado, comete uma infração ao dirigir falando ao celular, enquanto o motorista de ônibus, que transportam dezenas de vidas amontoadas, e que só piora na hora do rush, tem que lidar com troco de passagem enquanto dirigem o veículo.

Publicidade
Publicidade

Jorge G, motorista da linha 680, relata que os motoristas são forçados a cumprir rigidamente horário de saída e chegada, e que são penalizados se atrasarem, o que não permite que fiquem com o veículo parado para resolver a questão do troco, sendo obrigados a dirigir com uma só mão ao volante, enquanto a outra cata moedas e cédulas, perdendo perigosamente o foco do que é sua função: Dirigir.

Raul P. é motorista da linha 653 e complementa,  reafirmando o risco de acidente e a seriedade da questão, pois as empresas de transporte tem obrigação de cuidar da vida de seus passageiros, devolvendo a função do cobrador em todas as linhas, não apenas em algumas como tem ocorrido, o que ajudaria até na questão de haver mais empregos.

Paulo J, motorista da linha 636, concorda que, ao economizarem funcionários, especificamente a função de trocador (ou cobrador), as empresas de ônibus colocam diariamente a vida dos passageiros em risco, pois a chance de acidente existe, sim, a cada sinal ou curva, mas as empresas de transporte só visam o seu lucro.

Publicidade

Jane C, trocadora da linha 607, uma das poucas que ainda mantém o trocador no Rio de Janeiro, reconhece a importância de seu trabalho, já que é humanamente impossível o motorista dar a devida atenção ao trânsito e ao troco do passageiro ao mesmo tempo.

O raciocínio da trocadora Jane C. é reafirmado por Maria D, trocadora da linha 636, outra das poucas do Rio de Janeiro que mantém o trocador: “Isso tudo tira a atenção, o reflexo, o raciocínio, afeta psicologicamente o motorista, que fica sempre tenso, ansioso, estressado, com receio de causar um acidente e que, se ocorrer, ele que será apontado como o culpado, quando a culpa é totalmente da economia gananciosa das empresas de ônibus".

Tudo isso sem contar que muitos veículos circulam com problema no freio, sem óleo, com pneus carecas, problema no capô, no retrovisor, lataria velha, sem quaisquer condições de trabalho, como conta Geraldo P., da linha 689 . Mas, para as empresas de ônibus isso também não é problema, elas querem é  lucrar.

Publicidade

Os motoristas são explorados com dupla função (motorista e trocador), mas ganham apenas um baixo salário e que nem os compensa pela atividade de risco em que são colocados. Não há  preocupação, seja com suas vidas ou com as vidas transportadas.

Isso tem que acabar, e para os dois lados, pois o motorista tem suas funções cognitivas e comportamentais, todo seu lado emocional afetado, o que pode vir a causar patologias, devido ao estresse profundo a que são submetidos  sem reais condições de trabalho, e os passageiros, cuja passagem de R$ 3,40 é considerada bastante cara, merecem veículos em condição adequada de circular.

#Opinião #Crime #Comportamento