O que era para ser apenas mais um noite de diversão terminou em tragédia no último final de semana para cinco jovens de origem humilde do Rio de Janeiro. Roberto Souza (16), Carlos Eduardo Souza (16), Cleiton Souza (18), Wilton Esteves Junior (20) e Wesley Castro (20) voltavam de uma festa na Zona Norte do Rio quando viram o veículo em que estavam - um Pálio branco - ser atingido por mais de 50 disparos na estrada João Paulo, subúrbio do Rio.

Os policiais militares Marcio Darcy Alves dos Santos, Thiago Resende Viana Barbosa e Antonio Carlos Gonçalves Filho foram presos por fraude processual e homicídio doloso. Fabio Pizza Oliveira, o quarto agente envolvido na trágica operação, foi preso apenas por fraude processual.

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Segundo a Polícia Civil, que investiga o caso, os quatro policiais optaram por mentir nos depoimentos e ficou clara a alteração na cena do #Crime.

Segundo os policiais, que dispararam cerca de 50 vezes contra o veículo em que os jovens se encontravam, eles haviam ido chegar uma denúncia de roubo de um caminhão quando um grupo de bandidos iniciou os disparos. Na versão dos agentes, o veículo estava sendo saqueado no Morro da Lagartixa, em Costa Barros, e que quando chegaram no local foram recebidos a balas por traficantes.

Para a Polícia Civil, está claro que essa é uma versão mentirosa contada pelas quatro policiais ainda no domingo, horas depois da execução dos cinco garotos. Presos em flagrante, os agentes estão retidos no Batalhão Prisional, na cidade de Niterói. De acordo com o posicionamento dos órgãos públicos competentes em termos de segurança no Rio, muito provavelmente esses quatro policiais serão expulsos do quadro da PM.

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José Mariano Beltrame, titular da pasta estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro, demonstrou profundo descontentamento e irritação com a atitude dos policiais. Para Beltrame, “cárater não se forma nas escolas de policiais”.

“Indefensável, trágica, uma ação que transcende toda e qualquer capacitação possível. Eles apenas mostraram a todos o caráter que têm. Essas pessoas estão presas e responderão pelo que fizeram. Acredito que pelo que está colocado no indiciamento, os quatro serão expulsos da nossa corporação”, salientou Beltrame.

Cena do crime foi alterada

Antonio Carlos, um dos soldados envolvido nos assassinatos dos jovens, disse em depoimento que dois homens atiraram nos policiais com um fuzil, o que desencadeou a reação dos agentes. A perícia, de fato, encontrou a arma dita próximo aos cadáveres dos garotos. No entanto, os investigadores seguem desacreditando nessa versão e ainda têm o testemunho de uma mãe das vítimas como divisor de águas na investigação.

“Ele (um dos policiais) botou a luva e ficou abaixadinho mexendo no menino morto no banco do carona.

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Deu a volta, pegou a chave e botou no porta-mala. Por isso que não deixaram chegar perto, não queria que eu visse, mas eu vi tudo. Eles puseram uma outra arma do lado da roda do carro, eu vi tudinho, eles alteraram”, disse uma das mães dos jovens, que não foi identificada.

Nesta segunda-feira (30), quatro dos cinco jovens foram enterrados no cemitério de Irajá, na zona norte. Antes do cortejo, uma bandeira do Brasil foi erguida pelos familiares contendo furos no centro, como se fossem balas – em uma clara e justa manifestação contra a onda de violência e impunidade que segue espalhando o medo pelo país. #Investigação Criminal #Casos de polícia