Cerca de 35 mil trabalhadores da construção civil devem ficar desempregados até o mês de agosto no Rio de Janeiro depois da conclusão das obras para as Olimpíadas, evento de grande porte internacional, que será realizado em setembro na capital carioca. Tais demissões devem agravar, ainda mais, a situação do desemprego no Rio, que em 2015 teve uma grande baixa de empregos formais (com carteira de trabalho assinada – sob regimento da CLT), e viu quase 72 mil trabalhadores serem demitidos.

E algumas demissões já foram, inclusive, efetivadas pela prefeitura do Rio de Janeiro. Nesta semana, operários que trabalharam na construção de uma arena de tênis, construída para os jogos olímpicos, e concluída recentemente, foram demitidos e se dirigiram ao local da arena para realizarem uma #Manifestação.

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Os trabalhadores reivindicam o pagamento da rescisão contratual, que, segundo os mesmos, foi prometido pela prefeitura e pela empresa que contratou os operários para realizarem a obra, mas que até o momento não foi feito.

Ao todo, 15 obras estão sob a responsabilidade da prefeitura municipal do Rio de Janeiro, e devem ser concluídas nos próximos meses. Atualmente, cerca de 18 mil empregos estão vinculados a estas obras, que têm como ‘carro chefe’ a construção do Parque Olímpico do bairro da Barra, além da construção também da Transolímpica, que se trata de um corredor de ônibus exclusivos para locais onde haverá a realização de competições.

Impactos das demissões para o Rio

Segundo o economista Adriano Fonseca, o setor da construção civil no Rio de Janeiro sofrerá impactos bastante negativos com as demissões dos operários das obras para as Olimpíadas.

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“O problema é que, com o fim das obras olímpicas, praticamente não haverá mais obras na cidade, muito por conta da grande #Crise econômica que se instalou no país, e, pelo menos neste primeiro semestre de 2016, não deve passar. A maioria destes operários, que ficarão desempregados até agosto, são pedreiros, ajudantes de pedreiros, soldadores, profissionais técnicos de montagem, ou seja, gente de obra mesmo, entende? Que trabalha na parte dura da construção. Sem a perspectiva de outras obras na cidade, onde esse pessoal vai trabalhar? Este é o problema”, explica Adriano.

“Um outro agravante desta situação é a com relação aos operários que se deslocaram de outras regiões do país, sobretudo, do norte e do nordeste, para o Rio de Janeiro e agora vão ficar desempregados. Caso não voltem para suas regiões de origem, estes trabalhadores poderão aumentar, ainda mais, a taxa de desocupados no Rio, o que prejudica ainda mais a cidade, pois se eleva o número da população, mas não há capital circulando por conta do desemprego.

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Como a prefeitura vai gerar novos empregos para uma população maior, em uma época de crise? Eis mais um delicado problema”, afirma.

“No entanto, antes de pensar em como gerar novos empregos, a prefeitura do Rio de Janeiro deverá cumprir com todos os seus vencimentos com os trabalhadores que forem demitidos. O pagamento poderá possibilitar ao operário uma volta mais tranquila para seu estado, caso ele tenha se deslocado para o Rio, ou se planejar melhor na cidade, caso ele seja do Rio ou não seja, mas queira continuar na cidade em busca de novas oportunidades. Garantir o pagamento de quem trabalhou é o primeiro passo para amenizar a difícil situação de crise que o país vive”, conclui o economista. #Rio2016