“Saio do Trabalho, ê

Volto para casa, ê

Um membro de Carteira Maior

Tudo é o mesmo suor”

Este poderia ser facilmente o rito do trabalhador, tanto homens como mulheres, que saem todos os dias bem cedo, encaram longas horas de trânsito e estresse no trabalho durante do dia, estresse que muitas vezes não é válido, e voltam para casa sob as mesmas condições estafantes.

Mas não é este exatamente o ponto de "A Cidade das Donzelas", peça de #Teatro que faz parte da 2º Mostra de Verão da Oficina Social de Teatro, que estreia no dia 25/02 no teatro Eduardo Kraichete, em Icaraí, Niterói. Nela, a realidade é ao mesmo tempo muito distante e muito próxima do exemplo superficial citado acima.

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Em um primeiro momento, pode-se achar fora da curva os elementos culturais dentro e fora do Brasil, sobretudo para quem está habituado à vida urbana e pouco conhece do interior do Brasil ainda tão inexplorado. Porém, à medida em que os elementos se tornam mais evidentes, o peso da realidade choca quem se identificou com pelo menos um aspecto.

Sob a realidade dos cortadores de cana, que até hoje são encontrados em cantos remotos do Brasil, isolados em suas comunidades cuja lei patriarcal parece ter congelado no tempo, A Cidade das Donzelas é um retrato muito mais próximo do que se imagina das relações entre homens e mulheres, e homens contra mulheres.

E toda esta relação ora conflitante, ora harmoniosa, é muito bem retratada em suas canções, todas performadas pelo excelente elenco. Dá fúria masculina a ternura feminina, é possível se identificar com ambos os aspectos sem se preocupar com o próprio gênero – o cerne de toda a questão retratada em Cidade das Donzelas não é atribuir características sólidas ao homem ou a mulher, mas sim mostrar como estas mesmas características nos tornam reféns do próprio esteriótipo.

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Para quem busca uma boa apresentação teatral, e ao mesmo tempo uma reflexão de uma realidade vigente, A Cidade das Donzelas pode surpreendê-lo de uma maneira única, tal como as melhores peças de teatro devem ser.

Direção: Érika Ferreira #Entretenimento