“A vida pode ser algo muito monótono e robótico. Perdidos em situações praticamente idênticas do cotidiano, a simplicidade das pequenas coisas, que guarda a sua beleza e ternura, são perdidas ao longo da rotina inconsciente. E para apreciá-la, tal como os nossos avós e avôs faziam sem compromisso no passado, é preciso apenas desacelerar um pouco, para notar os seus detalhes.”

“Penna em Dois Atos”, dirigida por Alécio Abdon, foi a terceira apresentação da 2º Mostra de Verão OST, realizado no dia de 02 de março, e trouxe uma abordagem bem diferente dos outros espetáculos até aqui. Com o teatro cheio, foi mostrado uma das formas mais clássicas do teatro brasileiro, capaz de divertir adultos e crianças na mesma proporção, além de servir como uma porta de entrada interessante para novos estudantes.

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Com mais duas apresentações, em 9 de março com “Fragmentos do Real, e 13 de abril com “A Noite Pestilenta”, a 2º Mostra de Verão tem mostrado peças de excelente qualidade com suas turmas.

A simplicidade vista em diálogos rebuscados

“O Primeiro Ato é um convite curioso para conhecer aquelas comédias de situações em que os desencontros são propositalmente apaixonantes de se ver. O atravanco inicial logo é substituído pela soltura nas falas bonachonas, que tornaram a noite mais divertida.”

Seguindo os textos diretos de Martins Penna, uma das referências dentro do teatro nacional, a peça se divide em dois atos, cada um com histórias e elencos distintos, embora todos façam parte da mesma turma. Ambos os atos mostram características bem curiosas quanto a antigas tradições. E para quem era um apaixonado pelas histórias de época, se sentiu muito à vontade naquele contexto colorido e chamativo.

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E os personagens são o maior charme de “Penna Em Dois Atos”. Com seus diálogos relativamente longos e antiquados para os dias de hoje, mas que guardam um gosto especial principalmente para quem viveu próximo ao período, suas atuações traziam a singeleza que até então apenas Martins Penna pode trazer ao público. Ponto para os atores, que embora tímidos inicialmente, foram ganhando força e proximidade com seus personagens.

Aquela sensação de familiaridade...

“As caricaturas pintadas de branco e preto em seus rostos tiravam um pouco da sensação de realidade, o que tornava todo o espetáculo ainda mais divertido. E por mais que este traço tão simples da caracterização transformasse a plateia apenas em espectadores, muito do que ali se falava era um reflexo deles próprios, perdidos em seus maxilares que mastigavam e bebiam tudo o que não era permitido em um espetáculo.”

“Penna Em Dois Atos” trouxe um elemento até então não visto na Mostra de Verão OST, a estrutura de atos, dividindo o espetáculo em duas histórias distintas, mas que traziam uma sensação de familiaridade com nosso cotidiano, e de uma maneira cômica – sendo a mais clara delas o “jeitinho brasileiro”, no seu sentido mais inocente, ao mais absurdo.

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O fator mais interessante no espetáculo não foi os motes de cada história em si, mas os detalhes expressados por cada personagem. Embora sigam alguns dos arquétipos mais comuns das histórias de época nacionais em seus trejeitos mais familiares, todos eles possuem um traço que pode ser facilmente associado a alguém conhecido de nossas vizinhanças, de nossas famílias, ou de nós mesmos.

Para quem nunca tinha ido ao teatro até então, Penna em Dois Atos foi uma excelente amostra dos textos clássicos de Martins Penna e de como o teatro popular ainda é vívido. #Entretenimento #Rio Cultura