Continuando a temporada com duas apresentações em março, a Mostra de Verão da OST segue com duas peças esta semana. Com textos inspirados nos clássicos nomes da dramaturgia brasileira, “Cruel” e “Penna em Dois Atos” apresentam duas das formas mais conhecidas e clássicas do teatro clássico e do teatro contemporâneo, respectivamente nas figuras de Martins Pena e Plínio Marcos.

Ambos os espetáculos serão realizados no Teatro Kraichete, no bairro de Icaraí, em Niterói. Enquanto “Penna em Dois Atos” busca a simplicidade da vida e das características que envolvem o teatro de Martins Pena, e ideal para serem apresentadas a públicos de todas as idades, “Cruel” é uma prova visceral das histórias de Plínio Marcos, trazendo seus personagens mais icônicos em uma história fatalmente realista.

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A Singeleza de “Penna em Dois Atos”

Uma das maiores contribuições de Martins Pena para a dramaturgia brasileira foi trazer os elementos comuns das peças de teatro europeias para uma realidade mais verossímil ao Brasil. Com diálogos rebuscados, mas singelos e expressivos da cultura nacional, atrelados a situações relativamente comuns dos meios urbanos e rurais de sua época, todas as suas peças formaram a base para boa parte da dramaturgia vista até hoje não apenas no teatro, mas na televisão brasileira.

“Penna em Dois Atos”, a primeira apresentação de alguns dos membros do elenco, segue exatamente este mesmo padrão. Do patriarca rabugento de andar arqueado, ao militar bonachão de pouca perspicácia, até aquela mocinha apaixonada pelos campos verdes do interior, todo o cerne da apresentação está na simplicidade dos elementos e sentimentos que dão cores a vida.

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Aliás, cores vívidas são um dos elementos de maior destaque nesta apresentação. Para quem deseja conhecer o teatro brasileiro em sua forma mais simples, e se encantar com todos aqueles elementos que de certa forma são muito familiares a infância de muitas pessoas, “Penna em Dois Atos” é uma excelente recomendação.

Direção: Alécio Abdon

Cruel” e o Peso dos Becos e Ruas Escuras

Considerado um “escritor maldito”, Plínio Marcos não teve receios de mostrar de maneira escancarada ao grande público, antes e durante a Ditadura Militar, o lado mais obscuro das ruas de São Paulo, local onde permaneceu em praticamente toda sua carreira como dramaturgo. Temas como homossexualidade e a violência velada são algumas de suas características mais marcantes, em diálogos ácidos e de uma realidade muito conhecida de qualquer vizinhança deixada de lado das grandes cidades.

Em “Cruel”, temos todas estas nuances do teatro de Plínio Marcos, desde os elementos sexuais vestidos pelo elenco, aos temas que sempre incomodam o grande público pela sensibilidade com os quais devem ser tratados.

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Tal como o nome do espetáculo sugere, seus gritos como expressões da consciência pesam como uma mão raivosa, sem medo de mostrar ao público o que os becos escondem.

Direcionado a um público mais maduro, “Cruel” é uma recomendação para quem deseja uma prova do teatro contemporâneo.

Direção: Amaury Lorenzo #Entretenimento #Rio Cultura