"Quanta fartura!". Foi esse o comentário que Lígia Parreira recebeu ao passar na rua na tarde de quarta-feira, dia 02/03/2016. O dono do comentário? Um funcionário dos Correios que estava à serviço no local. 

Tamanho desrespeito foi questionado pela designer que saía de uma loja de conveniência no Méier, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, que se surpreendeu com a resposta ainda mais ultrajante do homem, que disse não ter vergonha do insulto que havia acabado de cometer.

Esse caso seria como outros vários que acontecem a cada segundo nas ruas de todo o mundo, mas Lígia não se conformou com a atitude deslavada do carteiro e manteve sua posição questionadora e indignada, quando os dois acabaram brigando e ele aplicou dois socos na vítima do assédio, conforme reportagem do Jornal EXTRA online.

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O que impressiona nesse caso é que no boletim de ocorrência, tanto Lígia quanto o carteiro foram colocados como vítima da situação e também a lista de comentários machistas do site do jornal que publicou a matéria, confirmando a realidade da sociedade que vivemos.

"Se impiriquita toda, bota 2 cm de shortinho, e depois e depois diz que não gosta ser assediada kkkk" é o comentário de um usuário chamado Saopaulofc, e quase todos os outros seguem a mesma linha de desrespeito e preconceito contra a mulher e também sobre a atitude de Ligia. Lamentavelmente apenas alguns poucos criticam os comentários da matéria.

Os números de homicídios cometidos contra as mulheres aumentou nos útlimos 10 anos e isso só agrava a preocupação. A luta das mulheres contra assédios desse tipo, preconceitos e igualdade de gêneros não é recente.

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Comunidades no Facebook como a "Vamos Juntas?" com mais de 300 mil inscritas, mostram que o assédio recebido nas ruas não só incomoda como também intimida e mata.

Seria um "mundo paralelo" dizer que seria absurdo viver em uma sociedade aonde mulheres que não se conhecem combinam de andar juntas nas ruas para se protegerem mutualmente de assédios e #Violência sexual, praticada por homens, se casos como esse não acontecessem todos os dias e fossem considerados como banais ou como "chilique" das mulheres.

Quando meninas de uma escola se juntaram pelo direito de usar shorts no calor contra uma regra de que eles poderiam prejudicar a atenção dos meninos em sala de aula, elas também se juntaram a várias outras mulheres que não aceitam imposições machistas e desrespeitosas como Lígia, que além de amargar o desprazer da falta de respeito na rua, ainda teve que escutar na delegacia a outra versão que o carteiro deu ao caso, que segundo ele, estava conversando no celular e ao dizer a palavra "gostosa", Ligia interpretou que seria um comentário sobre ela. #Opinião #Comportamento