A Cidade-Sorriso sempre teve um grande número de ciclistas, independente da infraestrutura em péssimas condições. Até 2013, os habitantes tinham 15 quilômetros de ciclovia para utilizar e praticamente nenhum bicicletário, sendo obrigados a guardarem suas bicicletas em árvores e postes. Tal situação começou a melhorar com o programa “Niterói de Bicicleta”.

Criado pelo atual vice-prefeito, Axel Grael, o projeto tem como objetivo o planejamento da infraestrutura cicloviária de Niterói, a organização de eventos e projetos que incentivem o uso seguro da “bike”, além de campanhas voltadas para educação. Porém, encontram muitos desafios, citados pela própria coordenadora Isabela Ledo: “A grande dificuldade é quebrar o paradigma de que o automóvel é a melhor opção de deslocamento.

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É uma cultura que temos que mudar”.

Com a iniciativa, foram construídos 610 bicicletários e a malha cicloviária dobrou (chegando a 30km), mas os problemas estão longe de serem resolvidos. Os ciclistas Fábio Malta (jornalista) e Carolina Cunha (publicitária) moram na cidade e trabalham no Rio de Janeiro, e com as mudanças puderam se deslocar para o emprego de bicicleta, mas encontram diversas dificuldades. Convivência conturbada com motoristas e pedestres, bicicletários insuficientes, falta de ligações entre as ciclovias e de investimento em certas áreas (Zona Norte e Região Oceânica, principalmente), desrespeito e fiscalização precária são pontos compartilhados por ambos.

Buscando uma estrutura cada vez mais propícia para a bicicleta, movimentos como “Pedal Sonoro” e “Bicicletada/Massa Crítica” lutam para tal.

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Organizando atividades com frequência, eles procuram condições favoráveis e divulgação da “magrela” como meio de transporte. A relevância dessas mobilizações é notável, tanto que Isabela cita que “sempre que a gente tem algum projeto para apresentar, nós chamamos esses grupos.”.

É perceptível o aumento de ciclistas na cidade, mas tal observação foi comprovado através de uma contagem eletrônica (a primeira da cidade) feita pelo blog “Mobilidade Urbana” com parceria do “Transporte Ativo” e ajuda do “Pedal Sonoro”, que emprestou o equipamento. Escolhendo pontos estratégicos e de bastante movimento, recolheram dados por três dias (03, 08 e 10 de dezembro de 2015) e registraram 86,25 ciclos/hora, 78,08ciclos/hora e 82,75 ciclos/hora, respectivamente. Mesmo com o tempo chuvoso, os números foram superiores a contagem manual feita no ano anterior.

Buscando evoluir cada vez mais, a prefeitura através do “Niterói de Bicicleta”, promete concluir a projeção para esse ano (construção de um bicicletário amplo e seguro, localizado próximo as Barcas – já está em licitação -  e mais 30 km de malha cicloviária), além de procurar investir nas áreas que mais necessitam. Já os ciclistas esperam que um dia Niterói supere os problemas encontrados atualmente e seja uma cidade com o suporte necessário para as bicicletas. #Rio Cultura #Sustentabilidade