Atletas paraolímpicos que irão participar dos #Jogos na Rio 2106 decidiram se unir para sair em defesa de João Paulo Nascimento. O atleta, que também é paraolímpico, protagonizou uma das mais tristes cenas durante a passagem da tocha olímpica pela cidade de Anápolis, ao cair da cadeira em que estava durante a passagem do fogo olímpico.

A queda de João Paulo, 25 anos, que faz parte da seleção paraolímpica brasileira de basquete, foi motivo de muita polêmica, principalmente nas redes sociais. O atleta foi alvo de muitas ofensas e críticas que lotaram a sua página pessoal na internet. Durante a passagem, o jogador caiu da cadeira.

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Logo em seguida, conseguiu levantar-se sozinho e voltou para a mesma. O episódio vazou para a grande rede e serviu de motivo para muitos comentários maldosos que questionaram a conduta moral do competidor. Vários foram os questionamentos que declaram que aquilo era uma farsa montada pelo Comitê Organizador e que o mesmo não tinha deficiência alguma.

O atleta é portador da doença do joelho em "x". As pessoas maldosas utilizaram da cena para xingar João Paulo

A repercussão foi tão intensa que João Paulo gravou um vídeo para a internet, para que pudesse esclarecer o ocorrido. De acordo com o atleta, ele é portador da doença do joelho em "x", chamada também de geno valgo. Nesta condição, as pernas não ficam alinhadas e os joelhos acabam se aproximando. Isto leva ao afastamento dos pés, o que dificulta uma possível caminhada.

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"Fui muito criticado. Minha mãe ficou revoltada com tudo isso" - declarou o atleta bastante chateado

Em entrevista ao site Uol Esportes, bastante chateado, João Paulo afirmou que o fato serviu para que as pessoas possam saber que nem todo deficiente é paraplégico ou que não possuem todos os movimentos das pernas. "Fui muito xingado nas redes sociais e tive de ler muitas coisas maldosas de pessoas que não têm conhecimento. Minha mãe ficou revoltada com tudo isso", declarou o atleta. 

“Fiquei indignada com algumas coisas que falaram (...) as pessoas ainda precisam aprender mais sobre o assunto."

Como resposta ao a ocorrido, vários atletas paraolímpicos decidiram reunir-se em apoio ao atleta.“Infelizmente, só quem tem mais contato com o esporte paraolímpico sabe dos inúmeros tipos de deficiência e que nós podemos sim ser ativos. Espero que a realização dos Jogos Paraolímpicos aqui no Brasil sirva para mostrar do que somos capazes”, declarou Natalia Mayara, tenista brasileira, que teve as duas pernas amputadas ao dois anos de idade, em virtude de um atropelamento.

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Outra atleta paraolímpica que prestou solidariedade ao jogador de basquete foi Marcia Menezes, competidora paraolímpica de halterofilismo.“Fiquei indignada com algumas coisas que falaram. O preconceito já é menor, mas as pessoas ainda precisam aprender mais sobre o assunto. Tenho sequela de poliomielite na perna direita, então não mexo essa perna, mas a outra funciona perfeitamente – até melhor, porque trabalho muito para compensar. Se eu caísse, teria o mesmo reflexo que ele (João Paulo) teve”, declarou em entrevista ao site.

Felizmente, para o atleta, o episódio não vai deixar de qualificá-lo como atleta paraolímpico. Para o Comitê Paraolímpico Internacional, a prática do basquete em cadeira de rodas não é restrita somente a pessoas portadoras de paraplegia. Portadores de deficiências para locomoção e com membros amputados podem ser incluídos na prática. #Curiosidades #Rio2016