A campeã mundial de salto com vara e musa do esporte, Yelena Isinbayeva, acusou agências antidoping e autoridades olímpicas de discriminação contra atletas russos, além de violação de direitos humanos.

Tudo começou por causa de um escândalo descoberto em 2014 na Rússia, que envolvia fraude nos resultados de exames antidoping. O laboratório responsável pelos exames nas Olimpíadas de Inverno, que aconteceram em solo russo, naquele mesmo ano, descartou amostras suspeitas de atletas daquele país que acusavam o uso de substâncias ilegais, utilizadas para melhoramento de desempenho.

Desde então, a Rússia foi impedida de participar de competições pela Associação Internacional de Federações do Atletismo (IAAF, em inglês) – órgão que só decidirá se o país participa ou não das Olimpíadas do Rio de Janeiro em uma reunião de seus membros a ser realizada no dia 17 de junho.

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Frustração e revolta

Yelena Isinbayeva é um mito no salto com vara feminino. A russa já quebrou recordes nada menos que 28 vezes, e é a atual detentora da maior altura já alcançada em um salto feito por uma mulher, registrando a incrível marca de 5,06 metros, conquistada em Zurique, em 2009. Além de tudo, a atleta nunca foi flagrada em qualquer exame antidoping que tenha feito, o que atesta seu comprometimento com o esporte.

Não é à toa que Isinbayeva está revoltada com a situação da proibição dos russos competirem. Em uma transmissão feita recentemente pelo Skype, a atleta desabafou dizendo o que sentia em relação à situação, e comentou sobre seu desejo de participar das Olimpíadas no Rio: “Eu estou furiosa. Como você se sentiria? Esta é a minha chance de ganhar um terceiro ouro olímpico e escrever mais um capítulo em minha história, mas estou sendo obrigada a pagar pelos erros dos outros”.

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A atleta lembrou que o doping é uma questão que não afeta somente o seu país: "Há tanta negatividade sobre a Rússia no momento, mas o doping não é apenas um problema russo. Os atletas da América, Jamaica e de muitos outros países falharam nos testes e voltaram dois anos depois. Só na Rússia é que a equipe toda foi banida. É uma violação dos meus direitos humanos".

Isinbayeva espera que a situação de restrição imposta aos atletas russos seja resolvida de maneira favorável: "Eu realmente espero que isso seja resolvido positivamente: eu mereço isso, é meu direito", declarou, e informou que se a decisão final for a de manter a proibição, tomará medidas para reverter o quadro. Enquanto conversava com internautas pelo Skype, afirmou: "Eu espero vê-los no Rio, mas, se a decisão for contra nós, eu, pessoalmente, vou abrir um processo sobre discriminação na corte dos direitos humanos".

Assista ao salto que concedeu à Isinbayeva o atual recorde mundial:

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