Uma polêmica decisão do governador interino do estado do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles, tomou conta do noticiário político e acendeu o debate em torno das finanças cariocas. Em uma edição extra do Diário Oficial, na sexta-feira, Dornelles decretou “Estado de Calamidade Pública no âmbito da administração financeira”. O decreto é fruto de uma séria crise financeira que vem assolando as contas do poder público carioca.

Aos 81 anos, Francisco Dornelles governa o Rio de Janeiro enquanto Luiz Fernando Pezão, governador eleito pelo PMDB em 2014, segue afastado do cargo. Pezão se recupera de um linfoma não-Hodgkin, que corresponde a um câncer que ataca diretamente as células responsáveis pela defesa do organismo.

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Senador desde 2007, Dornelles aceitou integrar como vice a chapa de Pezão em 2014, e agora enfrenta o seu mais delicado momento político.

No entanto, na avaliação de Eduardo Paes, prefeito da cidade do Rio de Janeiro, o decreto emitido pelo governador Dornelles não afetará a realização dos Jogos Olímpicos, que têm abertura oficial marcada para o dia 5 de agosto, isto é, daqui a menos de dois meses. Neste domingo, 19, Paes esteve presente na inauguração do Túnel da Via Expressa, no centro da cidade, e não fugiu do polêmico assunto que dominou o Rio de Janeiro nos últimos dias.

“A crise que o estado vive não afeta as Olimpíadas. Afeta em zero. A única coisa que afeta é a prestação de serviços. Estamos, sim, em um momento bastante delicado. O governo federal precisa ajudar o Rio de Janeiro.

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Essa é uma grande necessidade e tomara que venha a acontecer”, avaliou Paes.

“Sobre esse possível envolvimento com a realização dos Jogos Olímpicos, não vai haver problema algum, porque a nossa prefeitura já assumiu o que deveria assumir e já fez o que poderia fazer. Acredito que esteja bem encaminhado esse apoio federal ao nosso estado. Essa ajuda é a única saída que se tem nesse momento”, ampliou.

Fatores como queda de arrecadação em Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e nas participações na venda de petróleo, aumento constante do teto de pagamento ao funcionalismo e a dificuldade em honrar os compromissos referentes aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2006 motivaram o decreto expedido por Francisco Dornelles na última sexta-feira.

Alívio

Após ter decretado estado de calamidade pública pelo drama fiscal vivido, o Rio de Janeiro poderá ganhar um “respiro” do governo federal na próxima semana. De acordo com informações do portal G1, a União poderá remeter ao Rio R$ 3 bilhões, sendo que desse montante cerca de R$ 500 milhões seriam destinados à conclusão a Linha 4 do Metrô, para que esta possa ficar pronta ainda em tempo dos Jogos Olímpicos.

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Na segunda-feira, dia 20, deverá ocorrer em Brasília uma reunião com outros governadores brasileiros para que as dívidas estaduais possam ser debatidas. O presidente interino Michel Temer, que ocupa o cargo enquanto o processo de impeachment de Dilma Rousseff transcorre no Senado Federal, teme que outros estados usem do mesmo expediente do Rio de Janeiro para pressionarem a União. #Rio2016 #Crise econômica