O site britânico Daily Mail divulgou uma reportagem onde aborda as péssimas condições das águas da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, que sediará algumas das competições aquáticas das Olimpíadas.

O jornal destacou que o local é conhecido como “latrina do Rio”, uma vez que o esgoto de cerca de seis milhões de residentes, da área metropolitana da cidade, acaba escoando para a baía. De fato, alguns dos competidores de vela das Olimpíadas que participaram de eventos-teste prévios, acabaram por adoecer, apresentando vômitos e erupções cutâneas. Alguns chegaram a colidir suas embarcações com os detritos presentes na água.

Situação preocupante

O Daily Mail entrevistou algumas crianças cujas famílias não querem que a Baía de Guanabara seja despoluída, pois alegam necessitar do lixo presente nela para sobreviver.

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Jornalistas do site de notícias flagraram garotos em embarcações de madeira improvisadas, recolhendo lixo flutuante para, posteriormente, venderem o material a empresas de reciclagem.

Dois dos garotos entrevistados, os irmãos Jonas, de 11 anos, e Leleco, de 13, residentes do Timbal, localizado no complexo da Maré, disseram aos repórteres que já encontraram mais do que somente lixo comum nas águas poluídas. Jonas relatou o que já viu: "Cachorros mortos, porcos, cavalos, e, às vezes, pessoas mortas. Uma vez eu encontrei a metade do corpo de uma mulher, que tinha sido cortado em dois. E nós encontramos bebês mortos também, fetos que tinham sido abortados e jogados pela descarga ou [direto] no rio".

Os rapazes afirmaram já terem encontrado também resíduos hospitalares, devidamente marcados para incineração, o que indica que hospitais estão despejando ilegalmente substâncias potencialmente mortais para os competidores olímpicos, nas águas da Baía de Guanabara.

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Jonas continua: "Há lotes de frascos de remédios e ataduras. Certa vez, encontrei um saco de plástico fechado com lotes de seringas que estavam cheias de sangue".

Competições na Baía de Guanabara

Durante os eventos-teste para as Olimpíadas, velejadores se depararam com situações preocupantes. O velejador brasileiro, Thomas Low-Beer, por exemplo, teve seu barco virado depois que se chocou contra o que acreditava ser um sofá, enquanto outros concorrentes tiveram seus lemes presos em sacos de plástico.

Outros navegadores enfrentaram problemas ainda maiores. A suíça Yannick Baulic ficou doente, com febre e diarreia após treinar durante duas semanas na água, e o britânico Alain Sinal também adoeceu, depois que seu barco virou na baía.

Nas palavras do velejador dinamarquês Allan Norregaard, a Baía de Guanabara é "o lugar mais poluído em que eu já estive. Eu não sei o que está na água, mas definitivamente não é saudável".

Os organizadores das Olimpíadas do Rio insistem que não haverá incidentes durante os eventos de vela, afirmando que irão usar helicópteros e barcos para detectar e remover detritos das águas.

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Apesar das promessas do governo do Brasil de que a baía seria limpa a tempo para os Jogos Olímpicos, funcionários do estado do Rio acreditam que uma verdadeira limpeza da Guanabara vai demorar pelo menos 20 anos. #Rio2016 #Doença