Pisos sujos, escadas sem luz, água vazando das paredes e cheiro de gás. Com um cenário desolador apontado pela delegação australiana, a Vila Olímpica viveu um domingo repleto de críticas, justamente na data em que o aparato foi liberado para o ingresso das delegações olímpicas. Frustrada pelas condições apresentadas, a Austrália não permitiu que nenhum atleta do país permanecesse no local.

Kitty Chiller, que é chefe de delegação australiana, elencou críticas à infraestrutura oferecida e alegou que a Vila “não está segura e nem pronta”. Com a abertura oficial marcada para o dia 5 de agosto, faltam menos de duas semanas para o início dos #Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro – a primeira Olimpíada da história a ser feita na América do Sul.

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Nos próximos dias novas delegações devem chegar ao Rio.

“Tomei a decisão de não permitir que nenhum atleta nosso fique no edifício que nos foi reservado na Vila Olímpica. Observamos situações como problemas de encanamento, eletricidade e gás. Além disso, havia água caindo das paredes, cheiro fortíssimo de gás em alguns apartamentos e curto-circuitos em cabos elétricos”, reclamou Chiller.

Com isso, os australianos estão ficando em hotéis nas proximidades da Vila Olímpica, justamente por entenderem que ela não atende as necessidades básicas dos atletas. Se apresentar melhores condições e ajustes aos problemas apontados, a Vila poderá ter de volta os australianos na quarta-feira, segundo Chiller.

Os organizadores dos Jogos calculam que aproximadamente 17 mil atletas se dividam nos 3.604 apartamentos construídos na Vila, que abriu suas portas pela primeira vez na manhã deste domingo.

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Prefeito faz piada

Ao tomar conhecimento das críticas e da postura adotada pela delegação australiana, o prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes não só defendeu o trabalho realizado pela cidade como se permitiu fazer uma piada da situação. Ele disse que, se preciso, colocaria até um canguru na porta do prédio destinado aos australianos na Vila Olímpica.

“Nós estamos aqui trabalhando para receber muito bem todos os nossos visitantes. Alguns ajustes precisam ser feitos e vão ser feitos para oferecermos boas condições a todos. Na condição de anfitriões da festa, esperamos fazer com que todos se sintam em casa aqui no Rio de Janeiro. Temos, entre nós brasileiros, essa característica de querer receber bem, mas é uma mudança grande. Vamos ajustar e tentar fazer os australianos se sentirem bem. Estou quase colocando um canguru na frente para pular com eles”, disse, em alusão ao animal característico da Austrália.

Localizada na zona oeste do Rio de Janeiro, a Vila Olímpica abriga 34 prédios.

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A Caixa Econômica Federal aportou um financiamento de R$ 2,33 bilhões para a realização, por meio de empresas privadas, da obra. A expectativa de que ela venha a render até R$ 3,6 bilhões em venda de imóveis. No final de junho, as instalações da Vila Olímpica foram dadas como concluídas pela organização.

O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, por sua vez, tratou de defender o trabalho do seu país e chegou a dizer que essa será a “melhor Vila Olímpica da história”.

“Nós vamos consertar esses problemas de adaptação. Os ajustes necessários serão feitos. Essa é uma Vila histórica, melhor que Sydney. É um dia para se comemorar”, resumiu Nuzman. #Rio2016