Travestis foram 'convidadas' a sair das ruas por ocasião das #Olimpíadas 2016 e quem as abrigou foi um sobrado que fica numa rua escura da Lapa. Ali, elas conseguem manter uma socialização, trocam ideias e até comemoram algum evento. Para muitas, é o único conceito de lar que conheceram, visto que a família lhes virou as costas. Uma das moradoras da casa, Daniela Faria resume bem a situação, assim como ela que viveu uma saga entre as ruas da 'Cidade Maravilhosa' e abrigos da cidade."A vida de travesti não é fácil. Porque o povo sempre olha o travesti com outro olhar, com medo, com pavor", lamenta-se. A 'Casa Nem' transformou-se em mundo real.

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A ativista e prostituta Indianara Siqueira foi a criadora do projeto, na tentativa de oferecer um abrigo onde meninas desenganadas e rejeitadas pela família pudessem buscar uma vida melhor. Durante os jogos olímpicos, as portas estavam sempre abertas para quem passou pela 'exclusão da olimpíada'. Uma dessas meninas se chama Vanessa Silva que vivia nas ruas com o marido, no centro da cidade. Ela foi enxotada por conta dos jogos que iam começar. Vanessa relata que agentes da prefeitura vieram e tocaram todo mundo, dizendo que era para higienizar a cidade, até a distribuição de alimentos e cobertores o prefeito mandou interromper. Outra, que também reclama da truculência dos agentes municipais, é Lidiane Lafayete, a jovem afirma que foi empurrada e jogada na van como se fosse cachorro.

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Normalmente, os travestis não gostam de frequentar os abrigos, pois de lá só guardam lembranças amargas, e muitas das que estão na Casa Nem já estiveram em abrigos na Copa do Mundo. Elas lamentam o desrespeito com que eram tratadas, sendo obrigadas a usar banheiro masculino e nunca eram chamadas por seus nomes sociais. Mas, hoje, as coisas mudaram. A Casa Nem oferece segurança e respeito a essas meninas, lá elas têm um projeto de vida, podem estudar e até tentar um novo emprego.

Casa Nem abre as portas para prostitutas

Todas sabem que a caminhada é difícil, nem sempre as portas se abrem com facilidade e a opção é a prostituição, muitas meninas procuram a Casa Nem e são bem recebidas, lá elas podem trabalhar sem ter que passar pelos horrores de um cafetão. #Rio2016