[AVISO: Contém descrições detalhadas de crime sexual.] Na madrugada de segunda-feira, 17 de outubro, uma #Mulher foi encontrada pela PM nua, chorando, no bairro da Lagoinha, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro. A vendedora de roupas, de 34 anos, revelou ao jornal Extra que vinha sofrendo estupros coletivos desde 2012, depois de seu namorado, à época, tê-los filmado fazendo sexo sem que ela soubesse, mostrando o vídeo a homens do bairro onde moram. Ela foi, posteriormente, estuprada por seis traficantes do bairro, que não pararam no primeiro ato.

Na última vez, segundo conta, foi abordada por quatro rapazes ligados ao tráfico da região quando estava em um bar e levada ao banheiro, onde a forçaram a fazer sexo oral em todos eles, sem que ninguém impedisse o ato.

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Ela foi então arrastada até uma rua escura pelos quatro indivíduos, que a jogaram contra um muro e deram continuidade ao abuso. Mais homens foram chegando e, de acordo com a vítima, dez sujeitos participaram da sessão de tortura. Em determinado momento, uma viatura da Polícia Militar entrou na rua onde estavam, fazendo com que os criminosos fugissem.

A mulher foi socorrida e colocada dentro da viatura. Os policiais ainda abordaram, mais adiante, dois adolescentes, um de 15 anos, o outro de 16, ambos reconhecidos pela vítima como tendo participado do #Estupro coletivo. Eles foram, então, colocados no carro do 7.º Batalhão sentados ao lado da mulher que haviam acabado de violentar. Enquanto eram levados para a 74.ª DP de Alcântara, um dos suspeitos colocou a mão na perna da vítima e a alisou, dizendo: "Fica tranquilinha.

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Vai dar tudo certo".

Na delegacia, a mulher passou por novos constrangimentos enquanto prestava depoimento. No registro da ocorrência, o policial escreveu expressões chulas ao descrever o ato. Na foto do documento, disponibilizada pelo jornal Extra, é possível ler trechos como "puxaram os seus cabelos, obrigando a pagar boquete triplo, fizeram a anal e vaginal, a colocando de quatro empurrando um galho de arvore na bunda; (...) eles não usaram camisinha, no pelo; (...) a declarante só gritou porque eles empurraram um galho de arvore em sua bunda; (...) um deles enjaculou na cara da declarante, outro bateu deu chineladas na bunda (...)". [A transcrição do texto foi feita de forma literal, mantendo inclusive os erros gramaticais ou de digitação.]

A vendedora disse ter se sentido desconcertada e desamparada. Mãe de três filhas adolescentes, desde que começou a sofrer os estupros coletivos, em março de 2012, teve medo de fazer qualquer denúncia. Após o último ocorrido, ela e as filhas foram obrigadas a se mudar e se escondem desde então - amigas das filhas relataram ainda que a casa onde viviam foi revirada e todos os objetos foram levados.

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No sábado, 22 de outubro, a mulher prestou novo depoimento na Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM) de São Gonçalo, dando maiores detalhes sobre o crime e confirmando a participação de dez homens. A vítima será encaminhada à Subsecretaria da Mulher para que tenha atendimento psicológico e social.

Cultura do estupro 

A situação da vendedora nos lembra de outro caso de estupro coletivo ocorrido no Rio de Janeiro, em que a vítima acabou por sofrer mais condenações que os próprios criminosos. Depois de concluído o inquérito, a Polícia Civil decidiu, em junho, pelo indiciamento de sete indivíduos. A jovem, que desde o estupro vem sofrendo ameaças de morte, também precisou se esconder - e mesmo depois da confirmação de que fora estuprada, vemos comentários, pela internet, de que se tratou de um caso fabricado ou, pior, de que a adolescente foi responsável por ter sido abusada.

Uma evidência de que existe uma cultura do estupro está, justamente, no fato de já esperarmos por comentários questionando a integridade da vítima e imputando-lhe responsabilidade, algo que, obviamente, também acontece no caso da vendedora - para conferir, basta ler a sessão de comentários das reportagens publicadas pelo jornal Extra. #Casos de polícia