Além de sofrer a dor de perder um filho, primeiro para a criminalidade e depois baleado pela Polícia, a funkeira carioca, conhecida como Tati Quebra Barraco, teve ainda que lidar com os inúmeros comentários de ódio e preconceito veiculados por posts em sua rede social logo após a artista ter escrito um texto sobre a tragédia.

"Meu filho tá sendo difícil de acreditar viu? Como deve ser pra você receber uma mensagem, ligação em meio ao show dizendo que seu filho está morto? Não queira passar nunca pelo o que estou passando. Não queira sentir nunca o que estou sentindo.", escreveu Tati.

Yuri Lourenço da Silva, de 19 anos, foi morto durante uma operação policial de rotina na Cidade Deus, no Rio de Janeiro, na madrugada de domingo (11).

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De acordo com os policiais, houve confronto entre eles e criminosos e dois homens foram baleados, Yuri e Jean Rodrigues de Jesus, de 22 anos. O filho da funkeira já tinha passagem pela polícia por roubo qualificado e já tinha decisão de condenação de dois anos. O jovem estava recorrendo da decisão.

Artista é obrigada a cumprir compromisso

Segundo a postagem no Facebook da artista, mesmo depois de receber a trágica notícia, Tati teve que cumprir o show que estava contratado para aquela madrugada na capital mineira, Belo Horizonte.

"Eu não pude parar o que dei início. Tinha fãs, públicos, o fotógrafo da casa, tinha um contrato assinado. Então tive que terminar o show da boate eleganza com um sorriso no rosto, sem quê ninguém percebesse. Mas não fui forte o tempo todo, desabei! DESABEI! Mas meu filho...

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porque isso com a mãe? Em que eu errei?", lamentou a funkeira.

Crescem mortes envolvendo policiais

Pelo menos 9 pessoas foram mortas por dia por policiais no Brasil em 2015, num total de 3.345 pessoas. O número representa um crescimento no total de homicídio de 6,3% em relação ao ano anterior (2014). Entre os anos de 2011 a 2015, o Brasil registrou mais pessoas mortas pela violência em geral do que a Síria, que está em guerra: foram 278.839 brasileiros contra 256.124 mortos pelo conflito sírio.

São Paulo e Rio de Janeiro concentram sozinhos 45% do total dos homicídios relacionados a intervenções policiais no país. Foram 848 mortes em São Paulo e 645 no Rio durante o ano de 2015.

Mas se aqui a polícia mata, ela também acumula suas baixas. Entre os anos de 2009 e 2015, 733 homens das forças de segurança foram assassinados em serviço no Brasil, mais que o dobro do registrado nos Estados Unidos. Já o número de policiais que morreram fora de serviço no país, enquanto estavam de folga ou faziam algum ‘bico’ para complementar a renda, subiu de 186 em 2009 para 290 em 2015, alta de 55%.

De 2009 a 2015 foram 1.839 policiais mortos fora do horário de expediente. #Violência Policial #Funk