Após o Supremo Tribunal Federal decidir que as cláusulas de delações premiadas não podem ser revistas depois de homologadas, a prática desse tipo de ação, que auxilia muito nas investigações de corrupção, ganhou ainda mais força. As colaborações premiadas têm sido tão importantes que agora refletem até mesmo nas investigações que não estão ligadas a políticos. Afinal, foi graças a uma delação premiada que a Polícia Civil do #rio de Janeiro deflagrou a maior operação de combate à corrupção policial no Rio de Janeiro, na madrugada desta quinta-feira (29).

Os agentes da Polícia Civil estão cumprindo mandados de prisão envolvendo 96 policiais militares e 71 traficantes.

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As investigações apontam que os envolvidos comandam um esquema de propinas que rendia R$ 1 milhão por mês. Até agora, 54 PMs foram presos.

Cenas mostrando a corrupção policial foram bastante exploradas nos filmes Tropa de Elite, no começo dos anos 2000. A descoberta feita nas investigações mostra que, nesse caso, a realidade da prática criminosa envolvendo policiais está bem próxima da ficção mostrada nos cinemas.

Operação Calabar

Denominada Calabar em alusão ao maior traidor da história do Brasil, Domingos Fernandes Calabar, a operação foi motivada por investigações iniciadas em fevereiro do ano passado.

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Na época, um suspeito foi abordado em São Gonçalo, na região metropolitana da cidade. Ele levava no carro diversas armas, além de R$ 28 mil em dinheiro.

O suspeito, que era um dos intermediários contratados pelos policiais para recolher a propina dos traficantes, aceitou fazer um acordo de delação premiada com a Justiça, em troca da redução da pena. A partir dos relatos dele, foi descoberto um esquema em que policiais militares do 7º Batalhão de São Gonçalo faziam uma trabalho de parceria com traficantes.

Veja os nomes dos policiais envolvidos:

As investigações apontam que os policias investigados possuem baixas patentes. A maior patente entre os envolvidos é a de subtenente. No entanto, o Ministério Público não garante que comandantes do batalhão tenham algum tipo de ligação com o esquema.

"Traidores"

O comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, coronel Wolney Dias, classificou os policiais envolvidos no esquema como "traidores". Ele afirmou não querer pessoas desse tipo na corporação.

"Nós não queremos os maus PMs nas nossas fileiras. Se for preciso excluir 90, 900 ou 9 mil, pouco importa", afirmou o militar, durante entrevista coletiva realizada na tarde desta quinta-feira. #Operação Calabar #corrupção na PM