Não é de hoje que o Brasil é conhecido mundialmente por ser um país extremamente violento, tendo uma das maiores taxas de assassinatos do mundo. E também não é de hoje que o #Rio de Janeiro se destaca nesse aspecto. É conhecido em todo o território nacional como uma terra sem lei, onde a criminalidade reina. Em muitos bairros, especialmente em determinadas favelas, nem mesmo o Exército consegue fazer valer o poder do Estado.

Com base nessa realidade, muitos moradores, geralmente pequenos comerciantes, passaram a montar grupos de apoio contra roubo. Com o passar do tempo e sem que a polícia e o poder público em geral criassem mecanismos para inibir a criminalidade, os grupos de apoio foram evoluindo para grupos de justiçamentos.

Publicidade
Publicidade

Os justiceiros agiam preventivamente ou reagiam com #Violência quando algum comerciante ou cliente sofria uma tentativa de roubo. Veja o artigo sobre o princípio da insignificância, que, de acordo com o STF (Supremo Tribunal Federal), mostra a diferença entre roubo e furto [VIDEO].

Essa prática estava se tornando corriqueira até meados de 2014, quando um menor foi amarrado em um poste utilizando para prender o quadro de uma bicicleta. Esse caso ganhou repercussão nacional pois foi alvo de várias reportagens, e especialmente por causa das declarações dadas pela jornalista Rachel Sheherazade na época.

Ela não defendeu explicitamente os justiceiros, mas afirmou que era uma forma de legítima defesa da população contra a criminalidade crescente. Isso bastou para que os principais partidos de esquerda do Brasil se mobilizassem contra a jornalista e contra os espancamentos de infratores.

Publicidade

Desde então, os justiçamentos diminuíram muito.

Pelo menos era o que se pensava até a noite desta quinta-feira (27), quando imagens de cartazes informando que quem cometesse determinadas contravenções seria punido de acordo com o crime cometido. Os cartazes são assinados por um grupo autodenominado Bonde da Justiça, o qual tem até um slogan: Por uma nova Rocha Miranda, bairro da cidade do Rio de Janeiro. A punição iria de apreensão de equipamento de som em caso de músicas que fazem apologia ao crime até a morte em caso de tentativa de estupro.

Veja abaixo a lista completa do "regulamento" criado pelos justiceiros.

Seria punido com Makita (ferramenta de marcenaria usada para cortar metais e madeira) nos dedos:

  • Roubos de carros e motos;
  • Roubo a pedestres;
  • Roubos de celulares;
  • Roubar comerciantes e feirantes;

Surra com porrete:

  • Usar drogas na frente de crianças;
  • Manter relação sexual em local público;
  • Passar nota falsa no comércio;

Apreensão de celular ou outro equipamento de som:

  • Funk de apologia ao crime

Morte:

  • Estupro

O grupo ainda esclarece nos panfletos que não pretende cobrar qualquer valor dos moradores ou comerciantes, afirmando: ‘’Moradores, não queremos nenhum centavo de vocês e não vamos bater ou matar ninguém à toa, fiquem tranquilos.

Publicidade

Somos pessoas do bem e vamos apenas colocar ordem no bairro.

Aos bandidinhos, viciados, malandrinhos, cracudos da noite, muambeiros e simpatizantes de bandidos: sumam do bairro. Temos 17 ruas em Rocha Miranda onde passaremos em breve e tenham certeza: vamos buscar dentro de casa!’’

Nota: Apesar de vários portais de notícia terem informado sobre os acontecimentos apenas nesta quinta-feira, o cartaz traz a data do dia 13 passado. Não se sabe se as imagens vieram à tona apenas agora ou se houve um erro de digitação por parte dos criadores dos panfletos.

Procurado por e-mail logo após a publicação da reportagem, o jornalista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, primeiro jornal a noticiar esse fato, não se manifestou até a data de fechamento deste artigo. #Notícias