O fato aconteceu na noite do último dia 31 de outubro (segunda feira), em Salvador, capital da Bahia. Tudo começou quando a estudante de 20 anos, Natália dos Santos Ramos, entrou no ônibus da linha Daniel Lisboa R2/Barra R2, da Concessionária Salvador Norte. Logo que entrou, começou a ser assediada pelo trocador do coletivo, que, segundo relatos da jovem, começou a lhe chamar de "gostosa" e ficou olhando para suas partes íntimas, dizendo coisas nojentas, "daquelas que os homens costumam falar quando passamos perto deles", diz a jovem.

Natália também conta que inicialmente ficou calada e preferiu não retrucar às palavras do trocador, tendo que ficar sentada num assento próximo dele, aguardando o troco prometido pelo homem. Porém, ele continuou insistindo no #Assédio, até o momento em que a jovem 'explodiu' e disse: "Será que você pode parar de falar essas coisas e me respeitar?", e ele respondeu: "Olha o tamanho do seu short, se você não quisesse ouvir essas coisas e buscasse respeito, não usaria.

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Se estiver achando ruim, não use mais este tipo de short."

A garota conta que ficou com muita raiva na hora e até bateu na mesinha que fica o dinheiro, gritando: "Não é porque estou com essa roupa que quero que alguém dê em cima de mim ou fale comigo dessa maneira." Ela também conta que, no meio da discussão, o trocador a chamou inclusive de p** e ela chegou a puxar sua camisa.

Natália diz que pediu ao motorista inúmeras vezes para que descesse do ônibus com a intenção de prestar queixa sobre o assédio, mas foi ignorada todas as vezes. Segundo a jovem, durante o trajeto, o veículo chegou a passar ainda em frente à 1.ª #Delegacia Territorial, num bairro próximo, mas mesmo assim o motorista não atendeu seu pedido.

Foi então que Natália decidiu fazer um vídeo com o celular, o qual aparece o trocador com um celular na mão também a filmando.

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No vídeo ela diz que não se importa dele gravar seu rosto, pois ela está com a roupa curta mesmo, no entanto não pediu para ouvir desaforo de ninguém. Ela afirma também que o homem chega a dar um tapa em seu braço durante o vídeo.

Depois que chegou em casa, Natália fez um desabafo no Facebook contando tudo o que acontecera naquele dia desde o princípio, mas não esperava que de uma postagem fosse surgir tantos compartilhamentos e tantas curtidas em tão pouco tempo.

Na publicação, a jovem postou "(...) Não posso e não vou deixar isso barato. Sou #Mulher e tenho direito de usar qual roupa quiser. Nós, mulheres, não podemos tolerar este tipo de coisa. Não queiram passar pelo que eu passei na noite de hoje." Ela conta que depois disso, várias outras jovens a procuraram nas redes sociais dizendo que já enfrentaram situações semelhantes.

Posteriormente, Natália procurou a Delegacia de Mulher para prestar queixa, mas foi informada que a unidade prestava assistência somente para casos de violência doméstica, o que não era seu caso.

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Então ela acabou registrando, na terça feira, dia 1.º de novembro, um B.O (atual RESP) na 1.ª Delegacia e foi avisada que provavelmente será chamada para prestar depoimento nos próximos dias, bem como a empresa responsável pelo Coletivo, citada anteriormente.

Em nota, a Concessionária afirmou que repudia qualquer tipo de assédio ou conduta atípica de seus funcionários e que, se for o caso, entrará com investigação da Polícia para que os fatos sejam apurados e as devidas providências cabíveis sejam tomadas.