A #ocupação do Campus da Universidade Estadual de Feira de Santana (#uefs) já dura mais de 45 dias. Os ocupantes fecharam a entrada principal da Universidade desde o dia 01/12/2016, tendo como motivação o protesto contra a PEC (Projeto de Emenda Constitucional) do teto de gastos públicos.

Após Assembléia dos Estudantes (AGE), a reitoria foi ocupada. Depois de quase 15 dias de ocupação, abriu-se uma entrada de veículos da Administração por um portão lateral. Essa é controlada por uma "comissão de segurança" que determina quem pode entrar no campus. Posteriormente, os ocupantes criaram um adesivo para os carros de membros da Administração e funcionários, por decisão dos ocupantes.

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Entretanto, ontem, dia 16/12/2016, todos os veículos foram impedidos de entrar alegando descumprimento de acordos (vide foto).

Depois do início da ocupação, os ocupantes apresentaram 38 pautas internas, com temas como a política de permanência, bolsas de estudo e cotas. Essas pautas foram discutidas em reuniões com a Administração Central. No dia 12/12/16 foi concluída a negociação da pauta interna, com um documento entre os ocupantes e administração.

Depois de todas as negociações, e a aprovação da PEC no senado, a Universidade segue ocupada. Professores e funcionários seguem algumas atividades de urgência absoluta (pesquisas com prazos, seleção de cursos de pós-graduação, mas o campus segue vazio. O vestibular da UEFS, que seria em novembro, teve que ser adiado, e será ocorrerá nos dias 19 e 20/12 em escolas públicas fora do Campus.

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As opiniões entre professores, funcionários e estudantes da instituição está dividida. No início da ocupação, um grupo de estudantes protocolou uma petição no Ministério Público Estadual, alegando direito ao estudo. O promotor do MPE solicitou providências ao reitor da instituição. Entretanto, na semana seguinte, o Conselho Superior da Universidade (CONSEPE) determinou a suspensão do calendário letivo 2016.1, invalidando os argumentos que embasavam a solicitação do MPE.

A associação de professores (ADUFS) decidiu em assembléia fornecer o suporte, inclusive financeiro, para os ocupantes. Entretanto, em Assembléia no dia 14/12/2016, docentes relataram abusos sofridos por professores e funcionários no acesso ao campus. As opiniões ficaram divididas, e a ADUFS emitiu uma nota criticando aspectos da forma como se deu a ocupação.

Os prejuízos causados pela ocupação do campus são grandes. Não existe mais perspectiva de que o primeiro semestre de 2016 (2016.1) seja concluído em 2016, após mais de 45 dias da ocupação.

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O semestre 2016.2 já havia sido cancelado pela Administração.

Os estudantes que fariam o ENEM na UEFS estão entre os 240 mil alunos que não puderam realizar a prova devido às ocupações de escolas e universidades no país. O próprio vestibular da universidade teve que ser adiado e mudado de local.

A interrupção das atividades não afeta apenas os cursos de graduação. Cursos de pós-graduação tiveram prejuízos e disciplinas canceladas. Projetos de pesquisa sofreram atrasos, e serviços de atendimento odontológico, serviços de análises clínicas, entre outros, foram prejudicados.

Além disso, mais de 500 formandos poderão sofrer problemas pelo atraso na documentação, acarretando impossibilidade de inscrição de concursos, perda de vagas em cursos de pós-graduação, e outras confusões.

Apesar das negociações, ningúem sabe quando terminará a ocupação. É possivel que, com as festas de final de ano e férias da universidade (janeiro de 2016), a ocupação perca o sentido, além de ser penosa para os próprios ocupantes.

O principal prejudicado é o contribuinte baiano, que através da folha de pagamento de professores e funcionários, já perdeu mais de 12 milhões de reais em um órgão que se encontra parado, e cujos gestores foram incapazes de solucionar a situação. #pec 241