Andar pelos lados da Avenida São Luis, Praça Dom José Gaspar, atrás da Biblioteca Mário de Andrade, na década de 1960, equivalia a receber um banho de cultura efervescente. Ali ao lado do tradicional bar Paribar, reduto de jornalistas, que ali iam "bater o ponto" - visto que as redações dos grandes jornais como Estadão, Folha e Editora Abril funcionavam todas na região central da cidade - havia um outro lugar onde começava surgir uma geração de artistas que iriam revolucionar a história da MPB e das artes cênicas de maneira indelével. O endereço era o subsolo da Galeria Metrópole.

Percorrendo os bares que lá havia, era possível ver artistas até então novatos, como Caetano Veloso e Gilberto Gil, que moravam ali do lado, na Avenida São Luis, dando uma canja, bem como Chico Buarque, Jorge Ben, Vinícius de Moraes e Oscar Petterson, considerado um dos maiores pianistas de jazz de todos os tempos, e até o escritor e ator Plínio Marcos, que lá lançou sua primeira peça "Dois Perdidos Numa Noite Suja".

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Com o fim dos festivais da TV Record em São Paulo e a decadência da TV Tupi, grande parte desses artistas foram para o Rio de Janeiro e com o surgimento dos primeiros shoppings, as galerias que eram a opção que havia para compras em locais fechados entraram em decadência. Com a Galeria Metrópole, isso ocorreu a partir de 1974 e durante quase trinta anos, e nesse período o cine Metrópole fechou.

Passado esse período, em 2007, os empresários André Almada e Klaus Ebone decidiram investir na recuperação desse importante espaço, principalmente o antigo Cinema Metrópole, para oferecer para a cidade um espaço multieventos. Tombado pelo Patrimônio Histórico, o novo espaço, com capacidade de dois mil lugares e cuja reforma foi concluída em 2012, oferece toda a estrutura que é preciso para a realização de shows de bandas e artistas nacionais e internacionais, eventos corporativos, de música eletrônica, entre outros.

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Por meio do sistema soft-opening, o local foi palco de apresentações como o grupo sueco I´m from Barcelona, que possui 29 integrantes que misturam coros e instrumentos, como clarinetes, saxofones, acordeões e guitarras. Essa iniciativa, por tabela, acabou motivando que novos bares e até lojas surgissem na galeria, até porque a Galeria conseguiu resgatar sua vocação de aliar cultura com diversão. Como se nota, a receita para revitalizar espaços que foram importantes para a vida cultural da cidade é possível. Eis a força de uma metrópole.