Você que mora ou visitou a cidade de São Paulo, já tentou passar algumas horas de lazer na Praça da Sé ou das Bandeiras? Diria que, nos dias de hoje, ficar algumas horas parado por lá é um verdadeiro ato de ousadia, principalmente na Praça da Sé, onde a chance de ser assaltado, até dentro da imponente catedral da Sé é muito grande.

Como todos sabemos, quando falamos de praça, qual a imagem mais imediata que associamos? Pessoas sentadas nos bancos conversando, namorando, crianças brincando, muito verde, barulho de pássaros.

A Praça da Sé, é um exemplo emblemático dessas transformações que ocorreram no centro. Poderíamos dizer que desde o início do século 20 até final dos anos 1970, tivemos diversas praças da Sé no mesmo local.

Publicidade
Publicidade

No entanto, muitas delas preservavam a essência de uma praça, como lugar de convívio entre as pessoas e até de atividade cultural intensa. Basta lembrar que na Praça da Sé dos anos 20 até o início dos anos 1970, havia ali o Palacete Santa Helena, uma bela e imponente construção, em que havia desde escritórios de diversos tipos, sindicatos, até uma bela e amplo teatro e um cinema, o que garantia um movimento intenso de pessoas durante todo o dia e a noite, inclusive nos finais de semana. Era a época áurea do centro, quando tudo girava em torno daquele perímetro urbano e em suas imediações.

No entanto, essa paisagem acabou sendo dizimada com a construção da estação Sé do metrô, que invadiu grande parte dos anos 1970, e determinou com a destruição impiedosa e desnecessariamente do Palacete Santa Helena e alguns anos depois, em 1975, do Mendes Caldeira, por implosão, uma das primeiras, senão a primeira no Brasil.

Publicidade

A partir de 1978, surgiu uma outra Praça da Sé, maior, é verdade, com a incorporação da antiga Praça Clóvis, que deixou de existir e o que impressionava nos primeiros anos pela sua imensidão, foi se revelando uma escolha inadequada, pois serviu de abrigo a diversos trombadinhas, mendigos, moradores de rua e muitos viciados em drogas. Com o fim do Santa Helena, não havia mais vida cultural que justificasse uma ida na Praça da Sé à noite, por exemplo, a não ser, eventualmente ir a uma missa, ficou uma praça sem vida e uma praça sem vida e sem convívio é tudo menos praça.

A Praça das Bandeiras também passou por um processo parecido. Até o final dos anos 50, havia uma praça com bancos, árvores e até um lago e também tinha um teatro: o Teatro de Alumínio, companhia que pertencia a família da atriz, Nicette Bruno, e que alguns anos depois foi vendida e virou um teatro de revista, onde se apresentavam famosas vedetes, com Marli Marlei, Wilza Carla, Eva Tudor, entre outras. Com o crescimento da cidade, a Praça foi sendo tragada e já no final dos anos 60, o local virou um imenso estacionamento até chegar nos anos 70 e se transformar em um terminal de ônibus que foi sendo remodelado nas décadas seguintes.

Publicidade

O resultado disso é que virou, desde os anos 70, também um lugar de passagem apenas, de ida e volta. Esses são apenas dois exemplos, que refletem os rumos que tomaram as praças do centro. Existem outros exemplos que experimentam processo parecido, como as Praças Princesa Isabel, Praça Júlio Mesquita, Praça Marechal Deodoro, Praça 14 Bis, todas, no entanto, não imunes a frequência de trombadinhas e perigos de todo tipo. Como discutir qualquer política de revitalização do centro, sem levar em conta essa importante questão? #Curiosidades